breton:despertar
Dialética do Despertar e Fenomenologia da Alteridade
SBAA
- Experiência da “totale dissemblance” e o confronto com a alteridade radical no Great East de Calcutá, onde a dignidade ocidental é mantida sob o signo da separação e do privilégio.
- Percepção do hotel como santuário apartado, onde o Ocidente é recebido com honras de oficial reverência enquanto o entorno é um “cimetière d'agonisants”.
- Observação das mulheres e crianças que ocupam o sono noturno ao longo dos muros, carregando o peso de um destino immemorial que não suscita revolta ou questionamento.
- Reflexão sobre o mercado humano banalizado, como a oferta de crianças para o repouso dos hóspedes, assemelhando-se a uma venda cotidiana de flores ou legumes.
- Fenomenologia do sagrado e crítica ao monoteísmo centralizador através da figura da vaca sagrada e da proliferação politeísta.
- Interpretação da vaca divina como interrupção da alma na cidade, desafiando a obsessão ocidental pelo centralismo de arquiteto e pela unidade monoteísta.
- Compreensão do politeísmo como estratégia de modéstia: o divino manifesta-se em figuras humildes para não induzir ao perigo da ilusão ou da confusão conceitual.
- Respeito pela “Zoe” e pela espontaneidade vital, traduzido em uma comiseração por tudo o que, como vivente, está votado ao sofrimento.
- Crítica às teologias da eminência, sugerindo que os conceitos sublimes são perigosos por tentarem definir o impossível como algo determinado.
- Liturgia da “similitude na maior dessemelhança” em Varanasi e a síntese do heterogêneo na messe sobre o mundo.
- Celebração ecumênica no Ganges unindo hindus, jesuítas, pastores e ateus sob a força de um “lien substantiel” que não anula as diferenças.
- Intuição de um princípio original que não é nada do que é, exigindo a multiplicidade de versões providenciais para afirmar sua transcendência.
- Dialética do superlativo e a montanha como arquétipo do absoluto e da hierarquia da visão.
- O surgimento do Himalaia como “emergence” e “ Fiat” da Genese, representando o original imprescritível que deve se fazer luz.
- Decepção ontológica diante do Everest oculto, revelando a sede humana pelo “Muito Alto” e pela necessidade de um princípio de visão soberano.
- Questionamento sobre a fé cristã como crítica do superlativo, transitando da mística das alturas para o privilégio budista de “demeurer” além da religião.
- Metafísica do despertar e a constituição do humano como causa de si através do vazio e da distância.
- Definição do despertar como ruptura absoluta que brisa o ambiente biológico para erguer o desafio humano sobre o sono das coisas.
- Constituição do homem em um “néant par excès”, criando um universo que deve ser dominado ao ser recriado e habitado.
- Oposição entre o “fazer” produtor ocidental e o “agir” indiano que não faz nada, agindo de forma intransitiva para produzir o vazio.
- Analogia com o zero matemático como elemento neutro que acompanha todas as operações sem alterá-las, simbolizando a atmosfera do “ser-em”.
- A Medicina como ciência da liberdade e a maestria de si frente à dominação técnica do mundo.
- Estrutura quádrupla do saber médico indiano: diagnóstico do mal, etiologia, medicação e cura como finalidade de liberação global.
- O “délivré vivant” como o homem em pé que se conquista sobre o véu das aparências através de uma ascese de lucidez impiedosa.
- Convergência entre Oriente e Ocidente na luta contra a escravidão dos determinismos, unindo a maestria da natureza exterior à maestria da interioridade.
- Reflexão sobre o silêncio e o vazio como energia sémântica recuperada pela filosofia para despertar o ser em sua função mais alta.
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