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CONHECIMENTO, FÉ E REVELAÇÃO (BETANZOS)
BETANZOS, Ramón James. Franz von Baader's philosophy of love. Wien: Passagen Verl, 1998
- Pressupostos e objetivo inicial da filosofia segundo Baader
- A rejeição de Baader em fornecer “primeiros elementos” da filosofia, pressupondo-os como conhecimentos prévios.
- A definição do objetivo primordial da filosofia como a busca pelos meios e condições para o uso livre da capacidade de aprender.
- O princípio cardinal da epistemologia e metafísica de Baader
- A reformulação do cogito cartesiano: “Sou pensado, portanto penso” ou “Sou amado, portanto existo” como fundamento objetivo.
- A insistência na identidade entre o fundamento do ser e o fundamento do conhecimento, localizados em Deus.
- A afirmação de que a capacidade humana de conhecer e amar é derivada e participativa do conhecimento e amor divinos.
- A crítica a Descartes por colocar um pensamento derivado (Nachdenken) no lugar do pensamento originário (Urdenken), abrindo caminho para o ateísmo.
- A negação de que a participação no conhecimento divino transforme o homem em uma “parte” de Deus.
- O objetivo do princípio de Baader de reunir ontologia e epistemologia, superando o solipsismo, o subjetivismo e a autonomia humana absoluta.
- A síntese entre idealismo e realismo e o conceito de “realismo ideal”
- A pressão interna de Baader para sintetizar e reconciliar o idealismo platônico com o realismo aristotélico em uma síntese superior.
- A caracterização de sua filosofia como “realismo ideal”.
- A vinculação do “realismo superior” à necessidade de um fundamento interno e externo para todo ser plenamente existente.
- O papel do meio, da ideia ou do espírito como elemento de equilíbrio entre o interno e o externo.
- A oposição constitucional de Baader ao pensamento unidimensional e abstrato
- A insistência na autoridade e fundamentação interna e externa em todas as áreas do conhecimento e da fé.
- A oposição a soluções do tipo “ou-isso-ou-aquilo” e a qualquer forma de abstração.
- A rejeição da unilateralidade, identificando como inimigos intelectuais os “sem coração, sem alma e sem cabeça”.
- A defesa da interdependência entre especulação e empirismo.
- A crença na unidade última por trás de toda multiplicidade, fundamentada em Deus como Centro comum.
- A relação entre conhecimento, fé e autoridade na filosofia religiosa
- A distinção, porém não separação, entre conhecimento e fé, caracterizando Baader como um “filósofo religioso”.
- A afirmação da necessidade humana de fé, conhecimento e autoridade.
- A concepção do dogma religioso como “modelo original para o conhecimento”.
- A defesa do estudo da teologia por leigos e clérigos.
- A disputa com Hegel sobre a cognoscibilidade dos objetos da religião, afirmando que os mistérios são relativamente investigáveis.
- O reconhecimento dos limites do conhecimento humano, rejeitando a posição kantiana sobre a incognoscibilidade da coisa-em-si (Ding an sich).
- O princípio do “terceiro superior” como resolução de dualismos
- A aplicação do princípio do “terceiro superior” na teoria do conhecimento, mediando entre razão e sentidos, e entre sentimento e imaginação.
- A citação que ilustra a relação dialética entre conceito, sentimento e imaginação.
- A conexão íntima entre conhecimento e vida
- A visão do conhecimento como compartilhamento no ser da coisa conhecida.
- A aprovação da visão de Lamennais sobre o instinto de aprender como expressão do instinto de existir.
- A fundamentação teológica na passagem bíblica “Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti”.
- A afirmação de que não existe “aprendizado ocioso”, vinculando-o à criatividade e procriação.
- A compreensão de que o homem conhece como um todo: razão, sentimento, intuição e vontade.
- A distinção básica entre o conhecimento primordial de Deus e o conhecimento derivado do homem.
- A teoria da revelação e os três modos de ser
- A categorização tripartite de todo ser:
- Deus: ser que conhece, quer e age, sem ser conhecido, querido ou agido por outro.
- O espírito: ser que é conhecido, querido e agido por um ser superior, mas que também conhece, quer e age.
- A natureza não inteligente: ser que é meramente conhecido, querido e agido, sem ele próprio conhecer, querer ou agir.
- A correspondência entre as três categorias de ser e os três tipos de revelação.
- A crítica a Hegel por fazer Deus depender da criação.
- A concepção do homem como microtheos e o axioma de Saint-Martin: “explicar as coisas através do homem, não o homem através das coisas”.
- A atribuição de funções na revelação: Deus como princípio, o homem como órgão e a natureza como instrumento.
- A advertência contra a confusão entre o papel de órgão e de instrumento.
- Os conceitos de polaridade, fundamento e causa
- A distinção entre fundamento (Grund) e causa (Ursache), sendo o fundamento o “meio” ou centro de toda ação.
- A relevância dessa distinção para a autorrevelação de uma causa através de seu fundamento.
- A lei de que aquilo que se revela deve diferenciar-se e apartar-se de algo em si mesmo.
- A influência de Jacob Böhme: a noção de que todo ser consiste essencialmente em polaridade (“sim” e “não”).
- A lei paradoxal da manifestação, condicionada e mediada pela ocultação (Aufhebung).
- A afirmação de que não existe “sim” sem “não”, nem luz sem escuridão.
- A predileção por padrões triádicos e a quaternidade
- A afinidade de Baader com o Romantismo e o Idealismo Alemão na utilização de tríades.
- A influência de Paracelsus, Saint-Martin e Böhme na compreensão de que uma tríade completa é uma quaternidade.
- A explicação de que o quarto elemento é o fundamento da unidade da tríade, não um elemento no mesmo nível.
- O modelo de Paracelsus dos três elementos unificados por um quarto (o ar).
- O axioma de Saint-Martin “Quand on est à trois, on est à quatre, c'est-à-dire à un” como analogia suprema da Trindade divina.
- A ilustração diagramática da tríade com um ponto central representando a unidade.
- O contraste entre a trindade dada de Baader e o desenvolvimento dialético de Schelling e Hegel
- A base da analogia trinitária de Baader em uma trindade e unidade pré-dadas, servindo de modelo para as criaturas.
- A crítica a Schelling e Hegel por partirem de um dualismo de oposição, perdendo a prioridade da existência atual sobre o desenvolvimento.
- A consequência panteste da dissolução da existência de Deus no desenvolvimento, destruindo a entelequia das criaturas.
- O conhecimento de Deus e as provas de sua existência
- A crença no conhecimento imediato de Deus através da consciência, concordando com Kant sobre a percepção de Deus nos “sussurros tranquilos da consciência”.
- A rejeição das provas tradicionais da existência de Deus que partem de algo que não é Deus.
- A aceitação de um testemunho externo de Deus na natureza, além do testemunho da consciência.
- A distinção entre mera crença na existência de Deus e a crença em Deus como livre vinculação a Ele.
- Os modos da presença de Deus: Inwohnung, Beiwohnung e Durchwohnung
- A relação entre o status de uma região ou pessoa e os modos da presença divina.
- A correlação entre as dimensões temporais do céu (três), da terra (duas) e do inferno (uma) e a presença de Deus.
- A definição dos três modos de habitação divina:
- Inwohnung (“habitação interior”): presença como amor, própria de Deus que é amor.
- Beiwohnung (“habitação conjunta”): presença na cooperação livre de um agente inteligente que age como órgão de Deus.
- Durchwohnung (“habitação através de”): presença apenas através do poder, tratando a natureza inanimada ou agentes resistentes como instrumentos.
- A elucidação de aforismos de Baader sobre a vontade de Deus para o bem e para o mal à luz desses modos de presença.
- A citação de Angelus Silesius que ilustra os diferentes modos de relação de Deus com a criatura.
- A rejeição do panteísmo e a defesa da transcendência e imanência divinas
- A afirmação de que a revelação não justifica o panteísmo, pois a unidade da essência de Deus é indissolúvel e intransferível.
- A concepção de Deus como um ser pessoal, cuja marca é a incomunicabilidade.
- A negação de que Deus seja uma parte do mundo ou o mundo uma parte de Deus.
- A defesa da dupla natureza de Deus: transcendente e imanente.
- O elogio a Jacob Böhme por conceber a interioridade e exterioridade de Deus de forma imanente, sem confundi-las com a existência criatural.
- A crítica ao Deus dos filósofos panteístas como um ser híbrido ou centauro.
- A afirmação de que a “externalidade” de Deus é anterior e independente de qualquer referência ao mundo.
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