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FILOSOFIA DE BAADER (BETANZOS)

BETANZOS, Ramón James. Franz von Baader's philosophy of love. Wien: Passagen Verl, 1998

  • Contexto intelectual e caracterização da filosofia de Franz von Baader
    • Franz von Baader coexistiu com grandes filósofos sistemáticos e era considerado por seus contemporâneos como um pensador de igual estatura.
    • A contradição entre a defesa da unidade da verdade e do ser e a notória falta de sistematização na escrita e nas aulas de Baader.
    • A convicção pessoal de Baader de que a filosofia deve constituir um corpo sistemático e orgânico de verdade.
    • Citação da tese cinquenta e três de Vorlesungen über religiöse Philosophie: “O conhecimento sistemático, que só pode ser denominado filosófico, relaciona-se com um agregado desprovido de conceitos de conhecimento (que frequentemente também é chamado de conhecimento erudito) assim como o conhecimento orgânico se relaciona com o inorgânico”.
  • Análise da prática literária e do estilo de pensamento de Baader
    • A oposição irônica entre o preceito sistemático de Baader e sua prática fragmentária, composta por ensaios curtos, ocasionais e aforismos.
    • A característica fragmentária e desconexa de suas obras maiores, com abundância de parênteses, notas de rodapé e digressões.
    • A descrição do pensamento de Baader como semelhante a “relâmpagos” em contraste com uma luz serena e constante.
    • A justificativa de Baader para seu método, utilizando a metáfora do “vendedor de sementes” que vende sementes e não plantas adultas.
    • O desafio imposto pelo estilo paradoxal e pela linguagem esotérica de Baader, extraída da Bíblia, Cabala, alquimia e dos místicos.
  • A possibilidade de unidade e coerência no pensamento de Baader
    • A unidade e a coerência na obra de Baader não são evidentes, mas podem ser extraídas do material quando ordenado e contextualizado.
    • A vantagem contemporânea de possuir a edição das Sämtliche Werke e os estudos acadêmicos posteriores para discernir um todo coerente.
    • A resposta de Baader aos pedidos de sistematização: a afirmação de que já possuía um sistema em seu conteúdo, embora não na forma.
    • Citação de Baader: “Embora eu não tenha exposto minhas ideias numeradas em ordem de hierarquia e fileira, produzi, não obstante, um sistema, pois sigo sempre o mesmo caminho na filosofia, ainda que seja, decerto, um caminho incomum”.
  • O princípio de centralidade como elemento unificador do conhecimento
    • A consistência e a quase ausência de contradições na obra de Baader, cumprindo a demanda por uma estrutura orgânica.
    • O princípio de centralidade como o grande elemento sintetizador que confere unidade orgânica a todas as entidades periféricas.
    • A concepção do verdadeiro conhecimento como um círculo, no qual cada conceito remete ao Centro e este, por sua vez, a todos os outros conceitos.
    • Citação de Vorlesungen über Societätsphilosophie: “A verdadeira gnose é um círculo, que não se apreende pouco a pouco, mas sim de uma só vez. Aqui, uma coisa conduz sempre a todas as outras, e quem tiver compreendido bem uma coisa em breve terá apreendido o todo”.
    • A definição do caos como um estado de “vazio de centro” (zentrumleer), privado da relação adequada com o seu Centro.
  • Críticas e defesas relativas à ausência de sistematização formal
    • A alegação de Baader de que a sistematização formal prematura na filosofia pode matar o espírito e inibir a pesquisa e a descoberta.
    • As desvantagens inerentes à adoção de um sistema formal: minimização de dificuldades, primazia do sistema sobre a verdade e degeneração em formalismo.
    • A avaliação de que os argumentos de Baader contra os sistemas são, na realidade, argumentos contra sistemas ruins e não compensam a falta de disciplina e ordem acadêmica em sua obra.
  • A concepção de filosofia e seus objetos de estudo
    • A definição de filosofia como “amor à sabedoria”, entendida literalmente como a perseguição da Sabedoria divina objetivamente existente ou Sophia.
    • O caráter essencialmente religioso da filosofia para Baader, sem que isso a reduza ao conhecimento sobre Deus.
    • A indissociabilidade entre o conhecimento sobre Deus e o conhecimento sobre o mundo.
    • Citação de Baader: “O problema da filosofia não é outro senão a exposição da lei de manifestação do que existe, em todas as suas fases, tanto na normalidade quanto na anormalidade”.
    • A centralidade da figura humana no esquema da realidade de Baader como solução para todos os enigmas e cruzamento de todos os níveis do ser.
    • A defesa da adoção de um ponto de vista antropomórfico na religião e na filosofia.
    • Os três objetos de estudo da filosofia: Deus, o espírito e a natureza.
    • A exigência metodológica de não separar nem confundir o externo e o interno, a história e a vida interior do espírito, a natureza e o espírito.
  • A abordagem sintetizadora e integradora de Baader
    • A interpenetração inevitável das posições de Baader nas diversas áreas de sua filosofia, dificultando a compartimentalização.
    • A explicação de Johannes Sauter sobre a dupla exigência de Baader:
      • O tratamento das três áreas de pesquisa (natureza, homem e Deus) com atenção constante a todas elas para uma análise essencial adequada.
      • A filosofia não deve situar-se ao lado das ciências positivas, mas deve penetrar todas elas para alcançar um “ponto de vista original”.
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