agrippa:simpatias-behar
Simpatias ocultas, trama do universo
BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.
- A doutrina das simpatias ocultas constitui a malha fundamental que sustenta a inteligibilidade do universo hermético.
- O mundo não é composto por elementos isolados.
- Tudo está ligado por relações invisíveis.
- Essas relações formam a verdadeira estrutura do real.
- As simpatias ocultas explicam a coesão do cosmos.
- Elas são vínculos naturais, não artificiais.
- Operam antes de qualquer intervenção humana.
- A unidade do mundo resulta dessa rede de afinidades.
- A simpatia é uma força de atração qualitativa.
- Ela não se baseia na proximidade espacial.
- Atua por conformidade de natureza.
- O semelhante reconhece e atrai o semelhante.
- À simpatia corresponde a antipatia.
- Certos seres se repelem por dissonância essencial.
- A repulsão é tão estrutural quanto a atração.
- O equilíbrio do mundo depende dessa dupla dinâmica.
- As simpatias atravessam todos os níveis do ser.
- Entre astros e elementos.
- Entre elementos e seres vivos.
- Entre corpo, alma e espírito.
- A causalidade mecânica é insuficiente para explicar o mundo.
- As simpatias precedem a causalidade eficiente.
- Elas explicam ações à distância.
- O efeito não resulta de choque, mas de correspondência.
- As propriedades ocultas das coisas derivam dessas simpatias.
- Uma planta cura porque está em simpatia com um órgão.
- Uma pedra age porque participa da virtude de um astro.
- A eficácia não é visível, mas real.
- A natureza inteira é animada por essas relações.
- Não há matéria neutra.
- Cada coisa possui inclinações.
- O universo comporta-se como organismo vivo.
- O conhecimento verdadeiro consiste em reconhecer essas tramas.
- Saber é discernir afinidades.
- A ciência hermética é ciência das relações.
- A ignorância consiste em ver apenas os acidentes sensíveis.
- A magia funda-se diretamente nas simpatias ocultas.
- Operar magicamente é explorar relações preexistentes.
- A magia não cria vínculos.
- Ela ativa e orienta vínculos naturais.
- O operador deve conformar-se à ordem das simpatias.
- A vontade isolada é ineficaz.
- A operação exige harmonia com o cosmos.
- O fracasso resulta da desarmonia.
- As simpatias constituem a verdadeira trama do universo.
- Elas substituem leis abstratas por vínculos vivos.
- Explicam a continuidade do ser.
- Fundamentam a possibilidade mesma da magia.
- Essa concepção revela tanto a coerência quanto a fragilidade do sistema.
- O mundo torna-se plenamente inteligível por analogia.
- Mas a distinção entre explicação e simbolização enfraquece.
- A totalidade aparece como sentido contínuo, mas dificilmente verificável.
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