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A Língua Divina, "realidade das coisas" (Béhar)

BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.

  • A doutrina da língua divina ocupa um lugar central na interpretação cabalística assumida por Reuchlin e retomada criticamente por Agrippa.
    • A língua hebraica não é concebida como uma convenção humana, mas como invenção divina.
    • Ela é o meio originário através do qual Deus criou, pensou e nomeou o mundo.
    • Pensar e falar coincidem, nesse nível, com o próprio ato criador.
  • A linguagem divina é inseparável da estrutura ontológica da realidade.
    • As letras e os nomes não são simples sinais representativos.
    • Eles constituem a essência mesma das coisas.
    • Nomear equivale a produzir, sustentar e determinar o ser.
  • A Cabala afirma que a criação se realiza por combinações de letras.
    • Cada ente resulta de uma configuração específica de letras divinas.
    • A diversidade do mundo deriva da multiplicidade das combinações possíveis.
    • A unidade do real permanece garantida pela origem comum dessas combinações no nome divino.
  • O nome de Deus é o princípio dinâmico da criação.
    • Ele não apenas designa Deus, mas atua como força produtora.
    • O movimento das letras engendra o movimento dos seres.
    • A linguagem é, assim, anterior e superior a qualquer distinção entre signo e coisa.
  • No De Arte Cabalistica, a língua divina é definida como uma teologia simbólica.
    • As letras funcionam como símbolos vivos.
    • O sentido não é exterior ao signo, mas imanente a ele.
    • A Cabala apresenta-se como ciência dos símbolos eficazes.
  • A magia emerge diretamente dessa concepção da linguagem.
    • Se as letras e os nomes são realidades, sua manipulação produz efeitos reais.
    • A prática mágica consiste em operar sobre a linguagem divina.
    • Energia, magia e êxtase constituem momentos de uma mesma realidade originária.
  • A nomeação possui uma função ontológica e operativa.
    • Conhecer o nome de algo é penetrar sua essência.
    • Associar-se ao nome correto é associar-se ao poder que o constitui.
    • A linguagem torna-se o meio privilegiado de união entre o humano e o divino.
  • Agrippa retoma essa doutrina, mas desloca seu alcance.
    • A língua divina é integrada a um sistema mágico mais amplo.
    • Seu fundamento teológico é enfraquecido em favor da eficácia operativa.
    • A linguagem passa a ser tratada como instrumento de poder, mais do que como via de contemplação.
  • A doutrina da língua divina fundamenta a possibilidade da magia espiritual.
    • Ela explica por que palavras, letras e nomes podem agir à distância.
    • Ela legitima o uso de invocações, caracteres e combinações verbais.
    • A fronteira entre linguagem, ser e ação é dissolvida.
  • A concepção cabalística da linguagem revela, assim, seu duplo caráter.
    • Ela é, ao mesmo tempo, metafísica da criação e técnica da operação.
    • Em Reuchlin, tende à contemplação simbólica.
    • Em Agrippa, inclina-se para uma instrumentalização mágica que amplia suas ambiguidades.
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