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TIPOS DE PROBLEMAS

SCHUMACHER, E. F. A Guide for the Perplexed. New York: Perennial, 1977.

  • A investigação retoma os três eixos previamente examinados — o mundo, o ser humano e o conhecimento — para introduzir o quarto tema: o significado de viver neste mundo.
    • Viver é caracterizado como lidar com circunstâncias, muitas delas difíceis, o que conduz à identificação da vida como enfrentamento contínuo de problemas.
    • A presença de problemas é apresentada como constitutiva da existência humana.
  • Problemas não resolvidos são associados a uma forma de angústia existencial, especialmente característica da modernidade.
    • A resposta moderna a essa angústia é identificada com a abordagem cartesiana, que restringe o pensamento ao que é distinto, preciso e indubitável.
    • A quantificação, a medição e a análise custo-benefício são apresentadas como instrumentos universais de solução.
    • A civilização contemporânea é descrita como singularmente especializada na resolução de problemas.
  • A centralidade absoluta da resolução de problemas suscita a necessidade de investigar a própria natureza dos problemas.
    • Introduz-se a distinção entre problemas resolvidos e não resolvidos.
    • Levanta-se a questão decisiva da existência de problemas que não são apenas não resolvidos, mas insolúveis.
  • Os problemas resolvidos são ilustrados por meio de um exemplo técnico: o projeto de um meio de transporte de duas rodas movido pelo homem.
    • As soluções propostas tendem a convergir progressivamente até alcançar uma forma estável.
    • A estabilidade da solução decorre de sua conformidade com as leis do universo no nível da natureza inanimada.
    • Esses problemas são definidos como problemas convergentes.
  • Os problemas convergentes caracterizam-se pela convergência das respostas à medida que são estudados de modo mais inteligente.
    • Podem ser divididos em problemas convergentes resolvidos e ainda não resolvidos.
    • A não resolução atual decorre apenas da insuficiência de tempo, recursos ou talento.
    • Não há impedimento de princípio para sua resolução futura.
  • Introduz-se, em contraste, a existência de problemas cujas respostas não convergem.
    • Em certos casos, quanto mais rigorosamente as respostas são desenvolvidas, mais elas divergem.
    • As soluções tornam-se opostas entre si, em vez de aproximarem-se.
  • O exemplo central de problema divergente é extraído da educação.
    • A educação é apresentada como problema inevitável da vida humana.
    • Um primeiro grupo defende a educação como transmissão cultural baseada em autoridade, disciplina e obediência.
    • Um segundo grupo concebe a educação como provisão de condições para o crescimento livre segundo as leis internas do educando.
  • As duas concepções educacionais são logicamente coerentes, mas mutuamente excludentes.
    • Disciplina e obediência são apresentadas como bens que, levados ao extremo, transformam a escola em prisão.
    • Liberdade é apresentada como bem que, levado ao extremo, transforma a escola em caos.
    • Não há possibilidade de compromisso lógico entre os dois polos.
  • O problema educacional é definido como um problema divergente por excelência.
    • A lógica ordinária é incapaz de resolvê-lo.
    • A vida é apresentada como mais ampla do que a lógica linear.
    • Apesar da ausência de solução lógica, existem educadores melhores do que outros.
  • A superioridade prática de certos educadores é atribuída à mobilização de faculdades superiores.
    • Amor, empatia, participação, compreensão e compaixão são identificadas como forças de ordem mais elevada.
    • Essas faculdades exigem alto grau de autoconsciência.
    • A grandeza do educador está ligada ao nível de desenvolvimento interior.
  • A política é apresentada como outro exemplo clássico de problema divergente.
    • O par de opostos central é liberdade e igualdade.
    • A liberdade irrestrita produz desigualdade.
    • A igualdade imposta exige restrição da liberdade, salvo intervenção de um nível superior.
  • A tríade da Revolução Francesa é interpretada como expressão dessa estrutura.
    • Liberdade e igualdade são irreconciliáveis no nível da manipulação institucional.
    • Fraternidade é introduzida como força proveniente de um nível superior.
    • A fraternidade não pode ser instituída por leis, mas depende da transformação individual.
  • A tentativa de reconciliar opostos no mesmo nível em que surgem é declarada impossível.
    • Melhorar pessoas não é tarefa de manipulação externa.
    • A reconciliação exige elevação ao nível superior do ser.
  • A distinção entre problemas convergentes e divergentes suscita questões fundamentais.
    • Como reconhecer o tipo de problema.
    • O que constitui a diferença essencial entre eles.
    • O que significa solução em cada caso.
    • Se existe progresso e acumulação de soluções.
  • Os problemas convergentes são reconhecidos pela tendência das respostas a se tornarem instruções precisas.
    • Uma vez resolvido, o problema deixa de ser interessante.
    • Resolver um problema é descrito como matá-lo.
    • O usuário da solução permanece passivo.
  • Os problemas convergentes pertencem ao aspecto morto do universo.
    • Neles não intervêm vida, consciência ou autoconsciência.
    • A manipulação pode ocorrer sem resistência.
    • Esses problemas caracterizam campos como física, química, astronomia, matemática e jogos formais.
  • Sempre que entram em jogo níveis superiores do ser, deve-se esperar divergência.
    • A liberdade e a experiência interior tornam a convergência impossível.
    • Introduzem-se os pares fundamentais de opostos: crescimento e decadência; liberdade e ordem.
    • Esses pares são o sinal distintivo da vida.
  • A metodologia científica é descrita como abordagem laboratorial.
    • Elimina fatores não controláveis ou mensuráveis.
    • Cria sistemas isolados que permitem apenas problemas convergentes.
    • As soluções obtidas nada dizem sobre a totalidade da vida.
  • Problemas divergentes não podem ser mortos nem resolvidos por fórmulas.
    • Eles podem apenas ser transcendidos.
    • Os opostos deixam de ser opostos em um nível superior do ser humano.
    • Forças superiores tornam-se recursos estáveis quando a autoconsciência está presente.
  • A reconciliação dos opostos não é lógica, mas existencial.
    • Exige experiência vivida.
    • A transcendência manifesta-se concretamente na vida cotidiana.
    • A fraternidade exemplifica a reconciliação prática entre liberdade e igualdade.
  • A mente lógica resiste aos pares de opostos.
    • Opera segundo esquemas binários.
    • Oscila entre extremos ou fixa-se rigidamente em um deles.
    • Essa fixação produz perda de realismo.
  • Os pares de opostos introduzem tensão no mundo.
    • Essa tensão aumenta a sensibilidade e a autoconsciência humanas.
    • Nenhuma compreensão real é possível sem consciência desses opostos.
  • A vida social é apresentada como campo permanente de problemas divergentes.
    • Justiça e misericórdia formam um par de opostos.
    • Sabedoria é apresentada como força reconciliadora superior.
    • A adoção de soluções finais conduz à crueldade ou à dissolução.
  • Os problemas divergentes provocam e desenvolvem as faculdades superiores do ser humano.
    • A recusa em aceitá-los conduz ao atrofiamento dessas faculdades.
    • O ser humano reduzido à lógica torna-se apenas um animal astuto.
    • A vida humana é descrita como sucessão inevitável de problemas divergentes.
  • As culturas tradicionais compreenderam a vida como escola.
    • Os problemas divergentes são apresentados como instrumentos de formação do homem integral.
    • Eles exigem o desenvolvimento de faculdades supralógicas.
    • Essa compreensão fundamenta a visão tradicional da existência humana.
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