schelling:criacao-mundo-brown
DECISÃO DE DEUS DE CRIAR O MUNDO (BROWN)
BROWN, Robert F. The later philosophy of Schelling: the influence of Boehme on the works of 1809-1815. Lewisburg [Pa] London: Bucknell university press Associated university presses, 1977.
Resumos:
- A deidade pura, enquanto polo da liberdade, fornece o critério cuja presença torna possível que as potências conflitantes da natureza eterna se separem e componham um todo harmonioso, constituindo o ser eterno realizado de Deus.
- As ideias eternas situadas fora do ser próprio de Deus solicitam que lhes seja conferida potência, de modo que recebam vida como criação efetiva independente de Deus.
- A relação entre liberdade pura e possibilidade de ser externo real exige determinar como a liberdade, que é Deus, se posiciona diante da eventualidade de um mundo criado.
- A vontade pura, até então sem querer objeto algum, relaciona-se ao ser externo segundo duas modalidades opostas, e cada uma delas exprime a deidade inteira.
- A primeira modalidade é a negação do ser externo, o Não, descrito como fogo consumidor no qual nada pode subsistir, e como ira eterna.
- A segunda modalidade é a afirmação do ser, o Sim eterno, descrito como amor que confere potência e como essência de toda essência.
- A deidade não se divide entre essas duas relações, mas está integralmente presente em cada uma delas.
- Além das duas modalidades opostas, a deidade é também a unidade subjacente que as reúne, sem se reduzir a uma delas.
- O fato de a deidade pura estar simultaneamente nas duas relações com o ser implica que a produção de um ser efetivo fora de Deus só pode decorrer de decisão livre.
- Se a deidade fosse apenas Sim ou apenas Não, haveria necessidade de tomar partido do ser por afirmação ou por negação.
- A presença simultânea e igualmente essencial de Sim e Não constitui o fundamento pelo qual a deidade é liberdade suprema.
- A estrutura é requerida para que não se encontre fundamento necessário do mundo e para que se evidencie que tudo o que é existe apenas pela vontade divina mais livre.
- Até esse ponto, o progresso da vida é caracterizado como necessário, ao passo que qualquer progressão ulterior depende exclusivamente de resolução livre.
- A deidade pode permanecer em equilíbrio entre atração e repulsão, e nada a obriga a anular esse equilíbrio ou a sair de si em uma direção ou em outra.
- A coexistência igualmente essencial do Não e do Sim introduz uma contradição máxima na possibilidade de revelação.
- A revelação apenas como um dos aspectos não pode expressar a natureza verdadeira, porque a deidade é igualmente ambos.
- A revelação como ambos simultaneamente é inviável, porque os dois opostos não podem operar do mesmo modo como uma única e mesma coisa.
- A situação é designada como a contradição mais alta concebível, pois exige conciliar exigência de totalidade com incompatibilidade operatória dos contrários.
- A superação da contradição requer a adoção da relação fundamento consequente, retomando um esquema anteriormente delineado.
- A relação adequada exige que, ao ser posto como um dos termos, o outro seja posto necessariamente com ele, mas de tal modo que a existência de um seja fundamento da existência do outro.
- A resolução do estado de contradição realiza-se, em termos gerais, pela relação de fundamento segundo a qual Deus é como Não e como Sim.
- O Não é posicionado como precedência e como fundamento, enquanto o Sim é posicionado como posterioridade e como fundado.
- O Não e o Sim não se anulam mutuamente, mas se excluem quanto ao tempo, de modo que cada um é como existente em seu próprio tempo.
- A exclusão temporal não impede simultaneidade, pois diferentes tempos podem ser ao mesmo tempo.
- A constituição fundamental do tempo é atribuída à relação fundamento consequente e à unidade dessa relação, e não primariamente à sequência de antes e depois.
- A sequência deriva das relações ontológicas, e não o inverso, porque relações ontológicas podem e devem coexistir para haver ser efetivo.
- O passado e o futuro não são ausência pura em relação ao presente, mas dimensões reais do próprio presente.
- Quando relações ontológicas passam a figurar como sequência, a eternidade desdobra-se em tempo criado por ruptura na contradição levada ao ápice.
- A contradição em sua intensificação extrema rompe a eternidade e põe, em lugar de uma única eternidade, uma sucessão de eternidades, compreendidas como éons ou tempos.
- Essa sucessão de eternidades é identificada com aquilo que ordinariamente é denominado tempo.
- A decisão que transforma o regime da eternidade é o momento em que a eternidade se abre em tempo.
- O percurso das potências na natureza necessária de Deus, antes alternância eterna, torna-se simultaneidade total no ser de Deus por meio da separação, e essa totalidade produz a imagem ineficaz do mundo possível.
- A liberdade eterna é caracterizada como agindo por meio de tempos diferentes, e essa atuação deve superar a contradição convertendo simultaneidade em sucessão.
- A sucessão assim instaurada é apresentada como o tempo real do mundo criado, em contraste com a simultaneidade ineficaz do mundo apenas possível.
- A liberdade de Deus enquanto Não reflete o aspecto necessário, ao passo que o Sim é apresentado como o que deve nascer para que haja mundo criado.
- Deus faz livremente do Não o fundamento do Sim, de modo que a liberdade vença a necessidade e o ser efetivo seja afirmado por superação da negação.
- O ato ocorre como ato único, no qual a decisão de revelação determina simultaneamente a ordenação interna entre Não e Sim.
- A determinação estabelece que Deus, enquanto Não eterno, seja fundamento da existência do Sim eterno.
- A mesma determinação estabelece que Deus, enquanto negação eterna do ser externo, seja vencível pelo amor.
- A decisão absolutamente livre faz com que Deus se revele como Não, como Sim e como unidade de ambos, ao produzir um mundo que manifeste essas relações em sucessão de tempos.
- A liberdade eterna é fundamento de sua própria decisão livre, pois ela mesma, como Não, é começo que é vencido por ela mesma, como Sim.
- Uma vez descritas as condições da decisão por revelação mediante criação, torna-se necessário passar ao relato do processo efetivo como história.
- A crítica é dirigida contra concepções que tomam Deus apenas como espírito puro e, por isso, não explicam como tal espírito poderia revelar-se a si mesmo.
- O tempo é apresentado como intermediário decisivo entre liberdade eterna e ato de produzir o mundo.
- O arquétipo do tempo é coeterno com a liberdade porque já se encontra na alternância da natureza eterna.
- A alternância arquetípica é descrita como mecanismo pelo qual a deidade mede não a própria eternidade, mas os momentos da repetição contínua da eternidade, isto é, do tempo.
- A eternidade é tomada como completa, perfeita, indivisível, acima de todo tempo, e não mais eterna no conjunto dos tempos do que em um instante.
- A medição recai sobre os momentos da repetição contínua da eternidade, entendidos como tempo em sentido próprio.
- A eternidade não deve ser pensada como soma de momentos temporais, mas como coexistindo com cada momento singular.
- A doutrina teológica segundo a qual Deus criou o mundo no tempo exprime uma verdade específica, embora não implique momentos de tempo efetivo anteriores ao primeiro ato criador.
- O sentido afirmado é o de que há um movimento arquetípico fora da liberdade eterna que fornece contexto e medida do tempo criado.
- A criação no tempo é reconduzida à tese de que o tempo criado é medido por um regime arquetípico que não é tempo efetivo anterior, mas condição de mensuração.
- A função intermediária do tempo pode ser formulada como o fato de que o ser eterno de Deus se interpõe entre a liberdade eterna e a criação efetiva.
- Essa interposição garante que Deus seja livre em relação ao mundo.
- A mesma estrutura garante liberdade das criaturas, por imitação da liberdade divina, porque a raiz do automovimento delas é independente da vontade divina.
- As potências que compunham a tríade na natureza necessária, as potências no ser realizado e as potências no mundo ideal tornam-se agora princípios estruturais da criação.
- O mundo é descrito como constituído pelos mesmos componentes da natureza eterna em Deus: contração, afirmação e unidade de ambas.
- Assim como tais componentes formam o processo vital de Deus, constituem também o ser orgânico do mundo.
- Enquanto potências do processo do mundo, elas funcionam como seus períodos, e cada potência é dominante em um grande período correspondente a passado, presente e futuro.
- A mesma sequência aplica-se a periodizações diversas da vida no interior da criação.
- A passagem do interno ao externo é caracterizada como exteriorização decisiva das mesmas potências que operavam interiormente, pois aquilo que é em cada época só pode ser um.
- As potências, idênticas segundo a natureza, tornam-se externas de modo decisivo e, em sucessão, tornam-se potências dos períodos de vida externa do ser.
- A sucessão externa corresponde ao que eram, na simultaneidade, princípios do ser persistente.
- A decisão livre de subordinar o Não ao Sim determina a sequência da revelação como criação, e por isso a primeira potência vem primeiro no tempo real para poder ser superada.
- A primeira potência, a de contração, não é subordinada por si mesma, mas torna-se subordinada por efeito da decisão livre.
- Deus restringe essa potência poderosa para que ela possa ser fundamento ativador de um ser estável.
- Todo processo vital começa em contração, passando de envolvimento a desenvolvimento, e por isso o criador reúne primeiro todas as potências em um todo sob o domínio da força de contração.
- A primeira potência na criação é expressa como manifestação de Deus enquanto espírito puro na forma de necessidade, como natureza escura e inconsciente que nem sequer se sabe como começo de algo diverso.
- Enquanto existente, a primeira potência nega as forças que regem as outras potências, mas não é revelação plenamente realizada porque essa revelação requer também a expressão da segunda e da terceira potências.
- A primeira potência na criação é descrita como semente eterna de Deus em estado implícito, e como poder de Deus enquanto possibilidade do processo revelatório.
- Nessa primeira potência Deus não está efetivamente revelado, mas está realmente e totalmente presente.
- A contração que nega a separação das potências é o primeiro ser efetivo de Deus no mundo.
- Ao reprimir as outras potências, a força de contração reconhece implicitamente a realidade delas, e por isso o Não divino se coloca como existente em relação às três forças da natureza eterna.
- A potência negadora, sendo espírito puro, relaciona-se à natureza eterna como existente para o ser, penetrando toda a natureza eterna como paixão ativa e tornando-se inseparável dela quando naturalizada.
- As potências da natureza eterna são descritas como potências dessa potência espiritual, na qual ela se sente como em ferramentas.
- Sob o domínio da primeira potência, a harmonia dos princípios se rompe e as potências retornam a uma igualdade inicial de poder, reconstituindo antítese e guerra interna.
- As potências, antes subordinadas no mundo ideal, retomam no mundo real uma igualdade que lhes permite buscar ser apenas em si mesmas, em oposição recíproca.
- A estabilidade de interdependência é trocada por alternância impetuosa entre extremos de contração e expansão.
- A amargura inscrita em toda vida é identificada com a contradição que funda e origina movimento e vida, pois sem contradição não haveria movimento nem vida.
- A vida cercada por contradição interna tende a buscar resolução e paz, e esse esforço confere dinamismo e sentido ao processo vital.
- A obra suprema da ciência é a construção, isto é, a compreensão e a representação dessa contradição.
- O conflito das potências instaura movimento rotatório análogo ao da natureza necessária de Deus, pois repete a situação de potências fora de subordinação e controle.
- Quando o antagonismo atinge ápice, o todo se rompe em muitos centros independentes, e cada centro reproduz em si o movimento rotatório.
- Esses indivíduos rotatórios são as primeiras criaturas, e todo vivente nasce do conflito violento do começo, girando em torno de seu eixo em antagonismo interno.
- A dominância da primeira potência, ao provocar a separação em centros discretos, estabelece a ipseidade.
- As ipseidades resistem à força atrativa e retraem-se para seus centros próprios, separados da unidade geral da natureza.
- Cada uma encontra centro de gravidade próprio que representa, de certo modo, o todo para ela.
- Com as relações entre as ipseidades surge o espaço efetivo, descrito como orgânico, assim como o tempo.
- No mundo possível, a diferenciação e a subordinação das potências ofereciam o padrão de uma separação e posição possíveis.
- A eficácia da primeira potência torna efetiva essa separação, e por isso o espaço não é recipiente infinito nem contexto indiferente, mas forma orgânica constituída por relações internas.
- Em um organismo, cada parte é integral ao todo e o conjunto forma totalidade articulada, não mera coleção, e essa organicidade é aplicada ao espaço tanto no indivíduo quanto no todo.
- No macrocosmo, a revelação de Deus como natureza correlata, mundo do espírito e alma universal estabelece espaço real.
- A corporeidade é descrita como fim dos caminhos de Deus, e a finitude externa do universo decorre da existência de potência que o recolhe do exterior para o interior, tornando-o espacial.
- A finitude externa coexiste com infinitude interna, pois o universo manifesta o panorama completo das potências divinas.
- O movimento alternante das ipseidades entre centro e periferia intensifica gradualmente a própria ipseidade e busca equilíbrio estável de potências para permitir vida estável.
- Ao afastarem-se do centro, a força atrativa diminui e com ela declina a potência antitética de contração que individualiza.
- Ao retornarem ao centro, a contraforça de individualidade é reativada, produzindo alternância que intensifica a autoafirmação.
- O objetivo da alternância é alcançar equilíbrio efetivo de potências, condição de emergência de vida estável.
- A fuga bem-sucedida da contradição marca o começo da vida natural estável e, por extensão, da vida espiritual que deve crescer a partir de níveis superiores da natureza.
- A matéria opera arquitetonicamente, edificando níveis mais complexos que manifestam progressivamente a unidade subjacente à antítese e à pluralidade.
- A matéria busca liberar a potência da segunda potência para tornar-se tipo externo do espírito interior.
- A intensidade das potências ameaça reverter ao caos, e por isso a estabilidade da natureza material repousa sobre fundamento tênue, com tendência inicial à dissolução em chamas.
- O primeiro período do mundo natural é a criação das estrelas, governada pelas potências vastas da ira divina, e um tempo posterior, sob potências mais brandas, vê a formação do ser orgânico.
- A cosmogonia especulativa é concluída por comentário à narrativa bíblica da criação, distinguindo-se duas fases indicadas por mudança terminológica no início de Gênesis.
- A narrativa concentra-se sobretudo na segunda criação, em que Deus fala e forma criaturas individuais.
- No início, porém, afirma-se que Deus criou céu e terra, e a terra é descrita como desolada e vazia, indicando operação inicial inconsciente e caótica da primeira potência por si só.
- O primeiro ato, anterior à formação do mundo como é conhecido, é compreendido como exercício primário da primeira potência.
- A exposição é apresentada como conclusão do relato do passado, e os temas do mundo como presente e como futuro são remetidos a outros ensaios, encerrando-se com observações finais.
- O mundo do espírito segue desenvolvimento análogo ao da natureza, com exceção de iniciar-se com potência afirmativa dominante e potência negativa contida, invertendo relações.
- O mundo do espírito é domínio próprio ao lado da natureza e começa com o próprio começo da natureza.
- A natureza cresce gradualmente até que o espírito possa emergir nela sob forma de humanidade, que liga os dois mundos.
- O interesse principal no mundo do espírito recai sobre sua função como lugar do futuro humano.
- A terceira potência, a alma universal, opera no passado e no presente como unidade e estabilidade que emergem gradualmente nos dois mundos criados, e como vínculo entre mundos e Deus ela se realiza plenamente no futuro.
- A realização plena ocorre na restauração vindoura da criação à unidade com Deus.
- Pela mediação da alma universal, Deus eterno participa da vida em desenvolvimento do mundo e, por isso, participa também da dor e do sofrimento implicados por essa vida.
- A dor é descrita como universal e necessária em toda vida, como ponto inevitável de transição à liberdade.
- O sofrimento é descrito como via para a glória, não apenas para o humano, mas também quanto ao criador.
- Cada ser deve conhecer as próprias profundezas, e isso é impossível sem sofrimento, pois a dor provém do ser.
- Todo vivente deve primeiro enclausurar-se no ser e romper da escuridão do ser à transfiguração, e por isso o ser que é em si divino deve, na revelação, assumir natureza e sofrer antes de celebrar triunfo de libertação.
- Na luta da natureza, a vontade cega da primeira potência enfrenta as manifestações em desenvolvimento do espírito, e a prevalência gradual do espírito da segunda potência produz estabilidade sem anular a força cega.
- A estabilidade é trazida por um poder de que a primeira potência isolada era incapaz.
- A potência cega não é vencida, mas canalizada para fornecer energia ao espírito criador.
- As iluminações do espírito originam o que é inteligente e ordenado na estrutura do universo, de modo que o universo aparece como tipo externo de espírito interior.
- Toda criação consciente pressupõe outra criação inconsciente, e a criação consciente é desenvolvimento e explicitação da inconsciente.
- Na natureza, o combate final entre primeira potência dominante e segunda potência emergente aparece como orgias báquicas, em que a natureza se dilacera sob pressão do espírito vindouro.
- Essa loucura de natureza intensificada é apresentada como fundamento dos poderes superiores na criação.
- Os poderes criativos do intelecto humano e da arte são incluídos entre esses poderes superiores que pressupõem fundo de natureza intensificada.
- Ao concluir, retoma-se o problema do espinosismo e do panteísmo, relacionando-o ao impasse moderno entre unidade e dualidade.
- A distinção de extensão e pensamento em Espinosa pode ser interpretada como percepção obscurecida do equilíbrio de potências primordiais.
- A colocação em paralelo, em vez de oposição, é tomada como anulação prematura da dualidade em favor de unidade indiferente na substância infinita.
- A unidade espinosista é caracterizada como unidade morta do ser, estranha aos processos de vida e desenvolvimento que brotam da antítese.
- A filosofia moderna herda esse problema, mantendo persistente a questão da relação entre unidade e dualidade.
- O desfecho do pensamento moderno e do Iluminismo é descrito como idealização e esvaziamento do cristianismo, dissolvendo Deus e mundo em mero pensamento, e a correção proposta é reconhecer o fundamento eterno em Deus que não é Deus no sentido mais alto, mas que torna possível sua realização e revelação.
- Deve haver princípio que resista à revelação no ser primordial, pois só tal princípio pode tornar-se fundamento da revelação.
- Um princípio irracional, resistente à diferenciação e contrário à criatura, opera no ser primordial e constitui força real em Deus.
- Esse princípio deve ser reconhecido como personalidade de Deus, como ser em si e por si.
- O princípio irracional separa eternamente Deus da criatura, em vez de confundi-lo com ela.
- Tudo pode ser comunicado à criatura, exceto possuir em si o fundamento imortal da vida e ser por si mesma e de si mesma.
- A recepção do lado escuro da existência, associada à influência de Jacob Boehme, permite substituir o panteísmo de Espinosa por panteísmo dinâmico, entendido como filosofia da vida divina e humana.
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