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DIE WELTALTER: ESTATUTO, GÊNESE E PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS (BROWN)

BROWN, Robert F. The later philosophy of Schelling: the influence of Boehme on the works of 1809-1815. Lewisburg [Pa] London: Bucknell university press Associated university presses, 1977.

Resumos:


  • A investigação culmina na análise de Die Weltalter (1811–1815) como ensaio decisivo do pensamento tardio, no qual se concentra a influência máxima de Jakob Böhme e se consuma a ontologia desenvolvida entre 1809 e 1815.
    • Die Weltalter assume função conclusiva ao articular uma doutrina detalhada de Deus, capaz de reunir e integrar os problemas deixados em aberto pelo escrito sobre a liberdade e pelas preleções imediatamente anteriores.
    • A análise não projeta retroativamente o esquema de Die Weltalter sobre os textos precedentes, mas mostra como esse ensaio explicita a direção para a qual o pensamento já se orientava, permitindo compreender retrospectivamente o alcance filosófico dos escritos anteriores.
    • Ao mesmo tempo, Die Weltalter constitui a introdução filosófica necessária à filosofia da mitologia e da revelação, projeto amplo que ocupará as décadas finais da vida intelectual.
    • Sob esse segundo aspecto, o texto não possui caráter definitivo, mas fragmentário, permanecendo como início inacabado, reiteradamente retrabalhado e nunca autorizado para publicação.
  • O contexto biográfico e editorial esclarece o caráter provisório e experimental do ensaio.
    • Entre 1806 e 1820, a residência fixa em Munique e a ausência de cátedra universitária criam condições para um trabalho filosófico independente, embora propostas de Tübingen e Jena tenham sido recusadas.
    • A aceitação do cargo em Erlangen, em 1820, marca o início do desenvolvimento sistemático da filosofia positiva, enquanto os anos imediatamente posteriores às preleções são dominados quase exclusivamente pela elaboração de Die Weltalter.
    • As controvérsias com Jacobi e Eschenmayer permanecem secundárias diante da centralidade desse projeto.
    • As repetidas tentativas de publicação, sempre retiradas, indicam uma insatisfação persistente com a forma alcançada.
    • A edição póstuma preparada por Karl Schelling fixa o texto em 1814 ou 1815, enquanto a descoberta posterior de múltiplas versões e provas tipográficas revela a complexa gênese do escrito.
  • A estrutura analítica do estudo organiza-se segundo cinco momentos que acompanham a arquitetura interna do texto.
    • Os quatro primeiros momentos seguem os temas centrais do chamado Livro Primeiro: a dualidade fundamental em Deus; a interação dos dois princípios na constituição do ser pré-temporal; a possibilidade de uma realização temporal ou revelação; e a efetividade dessa revelação na criação do mundo.
    • A análise privilegia o texto de 1815, sem ignorar variações relevantes das versões anteriores.
    • O quinto momento amplia o horizonte ao considerar a distinção entre filosofia negativa e positiva, os materiais ausentes do texto tardio e o tratado sobre as divindades de Samotrácia como complemento e abertura à filosofia da religião.
  • A introdução de Die Weltalter fundamenta-se numa articulação tripla do tempo, que determina simultaneamente modos de ser, de conhecer e de dizer.
    • O passado corresponde a um saber pleno, suscetível de narração ordenada, por estar completo e realizado.
    • O presente exige compreensão investigativa e descrição, pois se oferece como processo em curso.
    • O futuro só pode ser pressentido e anunciado, permanecendo fora do alcance do saber pleno.
    • O ensaio limita-se deliberadamente ao passado, entendido como objeto de ciência rigorosa, e estabelece, com isso, seus pressupostos epistemológicos fundamentais.
  • A ciência é redefinida contra a concepção abstrata de sistema conceitual.
    • A ciência deve ser compreendida como representação de uma essência viva em processo de autodesenvolvimento.
    • O objeto supremo do saber é a realidade primordial viva, cuja gênese interna constitui o verdadeiro conteúdo científico.
    • Não havendo nada exterior ou anterior a essa realidade, seu desenvolvimento é livre e autoimpulsionado, embora necessariamente conforme à lei e não arbitrário.
  • Identificado o objeto da ciência do passado, impõe-se a questão decisiva do modo de apreensão desse objeto.
    • A natureza humana manifesta a relação concreta de dois princípios: um superior, impessoal, que liga o indivíduo à fonte de todas as coisas e confere co-saber da criação; outro inferior, pessoal, constituído como devir, desejo e pressentimento de saber.
    • O princípio inferior funciona como meio expressivo do superior, possibilitando sua manifestação.
    • A interação interna desses princípios realiza-se como recordação, enquanto sua forma externa se apresenta como dialética filosófica.
    • Em ambos os casos, o saber aparece como processo de recuperação e não como posse imediata.
  • A dialética filosófica não constitui um instrumento de descoberta direta da verdade suprema.
    • O conhecimento é compreendido como esforço de rememoração consciente, mais aspiração do que realização plena.
    • Tudo o que pode ser objetivado deve antes tornar-se interior, de modo que a apreensão interna precede qualquer expressão externa.
    • A questão central desloca-se, assim, para a natureza dessa interioridade e sua mediação discursiva.
  • A crítica à confiança contínua na intuição imediata delimita o lugar da visão no conhecimento filosófico.
    • A experiência ocasional de unidade simples da realidade é reconhecida, bem como o valor da teosofia fundada nessa intuição.
    • Contudo, tal visão permanece descontínua e insuficiente para uma compreensão viva e durável do real.
    • O saber humano procede fragmentariamente, por mediações reflexivas, divisões e gradações.
    • A visão sem entendimento não alcança o objetivo do conhecimento filosófico.
  • A mediação do entendimento torna-se condição para a consciência do processo ontológico.
    • A passagem do simples ao múltiplo pode ser vivida interiormente, mas só se torna cognoscível mediante distinção entre sujeito e objeto.
    • O entendimento opera como órgão mediador que possibilita expressão verdadeira.
    • A filosofia preserva essa distinção e atinge a visão completa apenas de modo indireto e progressivo.
    • Com isso, ela se define como caminho disciplinado para a verdade e sua expressão inteligível.
  • Die Weltalter afirma-se, assim, como obra filosófica fundada na unidade redescoberta de pensamento e ser.
    • O saber não parte mais de abstrações para descer à natureza, mas do ser inconsciente do eterno, conduzido progressivamente à consciência divina.
    • O ensaio permanece intencionalmente limitado ao passado, entendido como presença inconsciente do eterno na humanidade.
    • A compreensão do ser pré-temporal de Deus aparece como condição prévia para interpretar a história temporal e antecipar a consumação futura.
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