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A música especulativa

GODWIN, Joscelyn. L’ésotérisme musical en France 1750-1950. Paris: Albin Michel, 1991.

  • O ponto de partida do texto consiste na afirmação de que a música é considerada não apenas como arte sensível, mas como ciência especulativa dotada de alcance cosmológico, metafísico e espiritual.
    • A música especulativa não se reduz à prática sonora.
    • Ela investiga correspondências entre o mundo, a alma e o cosmos.
    • Sua ambição é compreender a estrutura profunda da realidade por meio da harmonia.
  • A tradição evocada é explicitamente antiga e contínua.
    • As doutrinas pitagóricas, platônicas e herméticas constituem seu núcleo originário.
    • Essas doutrinas são partilhadas por correntes cristãs, desde os primeiros séculos até a Idade Média.
    • A música é entendida como elo entre ciência, filosofia e religião.
  • O texto insiste no caráter marginalizado desse saber na modernidade.
    • A separação entre ciência, arte e filosofia levou ao esquecimento da música especulativa.
    • O mundo passou a ser concebido como mecanicamente fechado e espiritualmente inerte.
    • A harmonia deixou de ser princípio ontológico para tornar-se metáfora estética.
  • A França é apresentada como espaço privilegiado dessa problemática.
    • O desenvolvimento do esoterismo musical acompanha os grandes movimentos intelectuais franceses.
    • Mesmo quando não explicitamente esotérico, o pensamento musical francês conserva traços dessa tradição.
    • A música torna-se campo de tensão entre racionalismo, espiritualidade e sensibilidade.
  • A noção de Enciclopédia surge como sintoma ambíguo.
    • Por um lado, ela visa reunir todo o saber humano.
    • Por outro, tende a reduzir o conhecimento a classificações externas.
    • A harmonia do mundo corre o risco de ser substituída por sistemas abstratos.
  • A busca de uma unidade do saber atravessa o período.
    • A música é concebida como modelo dessa unidade.
    • Ela articula número, proporção, movimento e sensação.
    • A harmonia musical é vista como imagem da ordem universal.
  • O texto identifica uma mutação decisiva entre os séculos XVII e XVIII.
    • O esoterismo não desaparece, mas se transforma.
    • Ele passa a coexistir com o racionalismo e o cientificismo nascente.
    • Surge uma tensão permanente entre visão simbólica e explicação mecânica.
  • O Iluminismo não elimina a dimensão espiritual da harmonia.
    • Pelo contrário, ela ressurge sob novas formas.
    • O ocultismo popular, o romantismo nascente e o interesse pelo Oriente coexistem com a ciência moderna.
    • A harmonia do mundo permanece como intuição persistente.
  • A música continua a ser percebida como linguagem privilegiada do cosmos.
    • Ela não apenas representa a ordem.
    • Ela a manifesta sensivelmente.
    • O ouvido torna-se órgão de acesso a uma verdade que escapa à pura razão discursiva.
  • A noção de proporção ocupa lugar central.
    • As relações numéricas estruturam tanto a música quanto o universo.
    • O número não é quantitativo, mas qualitativo.
    • Ele expressa a medida interna do real.
  • O texto enfatiza que a crise moderna não é apenas intelectual, mas espiritual.
    • A perda da harmonia corresponde à perda de sentido.
    • A música especulativa aparece como tentativa de reconciliação.
    • Ela promete restabelecer a ligação entre homem, natureza e cosmos.
  • Essa primeira parte estabelece, assim, o quadro conceitual geral.
    • A música é princípio cosmológico.
    • A harmonia é fundamento do ser.
    • A investigação musical prepara o terreno para debates filosóficos posteriores sobre unidade, ordem e razão.
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