Do claro da floresta, ou da série de clareiras, trazem-se palavras furtivas e indeléveis, inapreensíveis, que pedem para se desdobrar e se completar, uma palavra de verdade que não pode ser inteiramente entendida nem esquecida, que se consome sem desgaste e que, fixa, não se queda muda, mas se move com um aleteo, voltando segundo a situação e a disposição de quem a recebe.
Do percorrer as clareiras na floresta, trazem-se palavras furtivas e indeléveis, que pedem para se desdobrar e completar.
Uma palavra de verdade, guardada e dada a quem chega distraído, não pode ser nem inteiramente entendida nem esquecida; é para ser consumida sem desgaste.
A palavra não fica quieta e muda; tem asas e se vai, podendo voltar segundo o modo e a situação de quem a recebe, seja para apenas percebê-la, sustentá-la ou aceitá-la plenamente.
Dentro de quem a acolhe, a palavra se faz indefinidamente, abrigada no silêncio, e dela brota a música inesperada que a reconhece, a música inicial do indizível.