As indagações «o que é?» e «por que?», apesar das mutações históricas dos conceitos e das demandas culturais, permanecem como os dois modos de interrogação fundamentais e ineludíveis para qualquer tentativa de compreensão teórica do mundo, resistindo à pretensão positivista de substituí-las pelo «como» ou à estratégia antiessencialista de dissolvê-las em circunstâncias de «onde» e «quando». A história da filosofia pode ser interpretada como a alternância cíclica entre a primazia de uma e de outra —
Platão e
Descartes inclinando-se para a essência,
Aristóteles e
Leibniz para a razão,
Husserl e
Heidegger em tensão análoga —, sugerindo que as filosofias singulares constituem maneiras originais de nodular essas duas questões ou tentativas de reduzir uma à outra. Por trás de toda vontade de saber, persiste a exigência de determinar simultaneamente o que as coisas são em sua realidade última, para além das aparências, e por que elas ocorrem desta maneira e não de outra, configurando um problema metafísico central sobre o fundamento que distingue e articula essas duas visões sobre um mesmo mundo.