Weil

Simone Weil (1909-1943)

Giovanni Reale

A Vida e as Obras

Simone Weil condensou em sua trajetória biográfica uma multiplicidade de identidades radicais — filósofa, sindicalista, operária, guerrilheira camponesa, exilada e resistente — que ela viveu corporalmente até o limite extremo da morte por inanição.

Durante os anos de estudo, conforme recorda o padre Joseph-Marie Perrin — que travou com ela muitos colóquios —, Weil manifestou-se vivamente antirreligiosa e entrou em contato com o movimento sindicalista e com as ideias da revolução proletária.

Com a Segunda Guerra Mundial em 1940, Weil deixou Paris, transferiu-se para Marselha e experimentou diversas formas de perseguição e trabalho duro antes de emigrar e morrer em Londres.

Escravidão em Nome da Força e Escravidão em Nome da Riqueza

Em Opressão e Liberdade, Weil diagnostica o abandono total do indivíduo a uma coletividade cega, em um mundo marcado pelo desequilíbrio monstruoso entre o ser humano e as condições da vida moderna.

Para Weil, a história humana é história do assujeitamento dos homens, com duas formas principais de opressão — a escravidão exercida em nome da força armada e a exercida em nome da riqueza transformada em capital — e uma terceira, nova e ameaçadora, em gestação.

O que Significa ser Revolucionário

Para Weil, Marx e seus movimentos não são suficientes para alcançar as finalidades emancipatórias, pois a “matéria social” deixada a si mesma produz novas escravidões e se transforma em falsa divindade opressora.

Também não é possível alinhar-se com os revolucionários que aguardam uma catástrofe feliz como cumprimento das promessas do Evangelho — posição que equivale a fatalismo e desinteresse por quem sofre no presente.

Nós Estamos aos Pés da Cruz

A libertação da opressão social não equivale à salvação do homem nem à redenção de sua infelicidade constitutiva — o infeliz é aquele que experimenta a ausência de Deus e se sente coisa indigna no vórtice da grande máquina do universo.

A distância entre o infeliz e Deus espelha o próprio ato criador, no qual Deus se autolimitou para permitir que o criado existisse — e a salvação exige do homem o caminho inverso: a decreação, o aniquilamento do eu.

A Presença de Cristo

Simone Weil recusou o batismo até o fim, embora o padre Perrin afirme que ela acabou sendo batizada por sua amiga Simone Deitz, com água de torneira, no hospital.

Em 1935, numa aldeia portuguesa de pescadores, Weil assistiu a uma procissão durante a festa do padroeiro e experimentou uma certeza fulminante sobre o caráter do cristianismo.