O Quarto Campo do Conhecimento: a “aparência” do mundo e a observação sensorial
Definição do Quarto Campo do Conhecimento como o domínio do que se oferece aos sentidos.
A questão central do campo: “O que eu observo realmente?” e o progresso mediante a eliminação de pressupostos não verificáveis.
Identificação do Quarto Campo como a pátria do behaviorismo, onde apenas o comportamento estritamente observável é de interesse.
A crença generalizada de que este é o único campo onde o conhecimento verdadeiro pode ser obtido.
Vilfredo Pareto e a defesa de uma abordagem estritamente objetiva
Apresentação de Vilfredo Pareto como exemplo de pensador que insiste no método do Quarto Campo.
Citação de Pareto que define seu campo de atuação como o da experiência e observação no sentido das ciências naturais.
Exclusão, por Pareto, das experiências internas, como amor, ódio, esperança e medo, do âmbito da investigação científica racional.
A visão de Pareto da história das ciências como uma batalha contra os métodos de introspecção e análise verbal.
A crítica à incapacidade de Pareto de distinguir os Diferentes Níveis de Ser
Análise do erro de Pareto em não distinguir entre os Níveis de Ser.
A legitimidade de banir o conhecimento “interno” do estudo da natureza inanimada, onde não há vida interior.
A ilegitimidade de banir o conhecimento “interno” do estudo da natureza humana, onde a aparência exterior é menos importante que a experiência interior.
O contraste entre o Conhecimento no Segundo Campo (maior conhecimento sobre os níveis mais altos) e no Quarto Campo (maior conhecimento sobre a matéria inanimada).
A visão de Pareto como típica de quem nega a hierarquia dos Níveis de Ser, vendo apenas diferença de complexidade entre uma pedra e um homem.
As limitações do método experimental nos diferentes Níveis de Ser
A afirmação de Pareto de que não há diferença entre as leis da economia política ou sociologia e as leis das outras ciências.
A validade do método experimental para o estudo da matéria inanimada, que não pode ser destruída.
A fragilidade da vida, da consciência e da autoconsciência, que são facilmente danificadas ou destruídas pela experimentação que ignora a liberdade.
A invalidação do método experimental nos níveis mais altos não se deve apenas à complexidade, mas à subserviência da causalidade a poderes superiores.
As consequências de modelar todas as ciências pela física
O “progresso” obtido ao forçar todas as ciências no molde da física e o acúmulo de conhecimento que se torna uma barreira para a compreensão.
A analogia do estudo de uma grande obra de arte limitado aos materiais de que é feita.
A maturidade da física em contraste com a imaturidade das ciências que estudam objetos mais maduros, como o ser humano.
A fórmula que ilustra a diferença: a matéria pode ser escrita como m, enquanto o homem deve ser escrito como m + x + y + z.
A distinção entre ciências descritivas e ciências instrucionais
A divisão das ciências do Campo 4 em dois grupos: descritivas (ex.: botânica) e instrucionais (ex.: química).
A observação de que a diferença é frequentemente negligenciada, levando a filosofias da ciência que tratam apenas das ciências instrucionais.
A refutação da ideia de F. S. C. Northrop de que a diferença é meramente de grau de maturidade no desenvolvimento de uma ciência.
A afirmação de que o modelo de Northrop é válido para ciências instrucionais, como a geometria e a física, mas nunca para ciências descritivas, como a botânica, a zoologia e a geografia.
Os objetivos contrastantes: descrição fiel versus instrução eficaz
A distinção entre “ciências para a compreensão” e “ciências para a manipulação”.
A ciência descritiva responde à pergunta “O que eu encontro realmente?”, regida pela preocupação de não omitir nada significativo.
A ciência instrucional responde à pergunta “O que devo fazer para obter um determinado resultado?”, regida pelo princípio da navalha de Okham para excluir o supérfluo.
A ciência descritiva preocupa-se primordialmente com a verdade inteira, enquanto a instrucional preocupa-se apenas com as partes da verdade úteis para a manipulação.
A natureza quantificada e lógico-matemática das ciências instrucionais
A necessidade de precisão e quantificação total nas instruções eficazes.
A substituição de qualidades (como a cor vermelha) por fenômenos quantificáveis (como ondas de luz de certa frequência).
Os meios de avanço das ciências instrucionais: a lógica e a matemática.
O movimento de físicos modernos em direção a uma realidade transcendente
A descoberta de uma ordem matemática estranha e maravilhosa nos fenômenos físicos.
O afastamento de físicos pensativos do materialismo grosseiro do século XIX e a consciência de uma realidade transcendente.
O movimento para fechar o fosso entre a ciência natural e a religião.
A concordância de físicos avançados com a afirmação de René Guénon de que “toda a natureza não passa de um símbolo de realidades transcendentais”.
As limitações inerentes das ciências instrucionais: o aspecto morto da natureza
A reflexão de que Deus é um grande matemático como um sinal de que a ciência instrucional lida apenas com o aspecto morto da natureza.
A constatação de que a matemática, embora bela e elegante, não tem o calor, a desordem da vida, o crescimento e a decadência, a esperança e o desespero.
A vida, a consciência e a autoconsciência não podem ser comandadas, pois têm uma vontade própria, que é um sinal de maturidade.
A incapacidade das ciências instrucionais de fornecer orientação filosófica
A premissa de que a física e as ciências instrucionais baseiam-se apenas no aspecto morto da natureza.
A conclusão de que tais ciências não podem levar a uma filosofia que oriente sobre o sentido da vida.
O contraste entre a física do século XIX, que via a vida como um acidente sem sentido, e a física do século XX, que se abstém de tirar conclusões filosóficas gerais.
A neutralidade ética das ciências instrucionais e a responsabilidade do cientista
A constatação de que as ciências instrucionais moldam a vida através das tecnologias derivadas, mas são eticamente neutras quanto aos resultados.
A afirmação de que as questões do bem e do mal não estão fora da província do cientista, mesmo que estejam fora da província da ciência.
A existência de uma crise da ciência instrucional, com o risco de se tornar um juggernaut fora do controle humanístico, gerando reação e revulsão.
A natureza da prova e da verdade nas ciências instrucionais
A investigação da alegação de que a “Ciência” produz “Verdade” cientificamente comprovada.
A definição de prova para uma instrução ou receita: se funcionar, foi “comprovada”.
A validade do pragmatismo como filosofia para as ciências instrucionais: “Quando uma ideia funciona, é verdadeira”.
A dupla natureza da prova nas ciências instrucionais: a instrução deve funcionar e ser inteligível em termos de princípios científicos estabelecidos.
As limitações da prova pragmática e o exemplo do sistema pré-copernicano
A limitação da prova pragmática: estabelece que um conjunto de instruções funciona, mas não que outros conjuntos ou princípios diferentes não possam funcionar.
O exemplo das instruções pré-copernicanas para calcular os movimentos do sistema solar, que produziam resultados mais precisos do que as pós-copernicanas durante muito tempo.
A conclusão de que a prova científica só existe na ciência instrucional, porque só pode ser provado aquilo que podemos fazer com nossas mentes ou mãos.
A aplicação inadequada da metodologia das ciências instrucionais às ciências descritivas
A localização adequada do pragmatismo no “mapa do conhecimento”: as ciências instrucionais.
O problema causado pela aplicação dos requisitos metodológicos das ciências instrucionais (pragmatismo, princípios heurísticos, navalha de Okham) como metodologia científica per se.
A afirmação de que tais restrições são incompatíveis com a descrição verídica e levam a uma metodologia do erro quando aplicadas às ciências descritivas.
A indistinção entre epistemologia e ontologia no nível da matéria inanimada
A constatação de que a física lida com a matéria inanimada, onde só há “aparência exterior”.
A irrelevância de distinguir entre o que podemos saber e o que realmente existe (epistemologia e ontologia) a esse nível.
A interpretação da afirmação do físico moderno de que “nos nossos experimentos mais cedo ou mais tarde encontramo-nos a nós mesmos” como uma obviedade: os resultados dependem da pergunta feita.
A formulação dos filósofos escolásticos: todo conhecimento é obtido per modum cognoscentis (de acordo com os poderes cognitivos do conhecedor).
A significativa distinção entre epistemologia e ontologia nos níveis mais altos de ser
A significância da distinção entre epistemologia e ontologia à medida que se sobe na Cadeia do Ser.
O exemplo do fenômeno da vida: o reconhecimento do facto da vida versus a afirmação da existência de um fator intrínseco que a ativa (vitalismo).
A rejeição do vitalismo pelas ciências instrucionais com base na sua infertilidade como guia de pesquisa e no superior valor heurístico de abordagens alternativas.
O erro de substituir a verdade pela fertilidade metodológica
A crítica à confusão entre um princípio metodológico legítimo (“fertilidade”) e a ideia de verdade.
A transformação de um princípio metodológico numa filosofia com pretensões universais.
A formulação de Karl Stern: “os métodos tornam-se mentalidades”.
A consideração de uma teoria como verdadeira não pela compatibilidade com a experiência, mas pelo seu valor heurístico superior.
A natureza das teorias nas ciências descritivas e o papel do juízo
A tarefa das ciências descritivas: descrever, induzindo uma atitude de humildade científica.
A necessidade inevitável de classificações, generalizações e teorias para tornar os fatos compreensíveis.
A impossibilidade de “prova científica” para teorias compreensivas nas ciências descritivas, cuja aceitação é um ato de fé.
A divisão das teorias compreensivas entre as que veem inteligência ou significado e as que veem apenas acaso e necessidade.
A interpretação dos sinais e a transcendência da lógica pelo juízo
A constatação de que significado, propósito, inteligência, acaso, necessidade, vida, consciência e autoconsciência não podem ser observados sensualmente no Quarto Campo.
A observação apenas de “sinais”, cabendo ao observador atribuir-lhes um grau de significância.
A igualdade de condição “não científica” entre interpretar os sinais como acaso/necessidade ou como inteligência supra-humana: ambos são atos de fé.
A conclusão de que a verdade ou falsidade dessas interpretações repousa não na prova científica, mas no juízo correto, um poder da mente humana que transcende a lógica.
A importância mundial da Doutrina Evolutionista
A apresentação da Doutrina Evolutionista como o ensino mais influente da era moderna.
A classificação da doutrina não como ciência instrucional, mas como ciência descritiva.
A questão fundamental: “O que é que ela descreve?”.
A distinção entre a evolução como facto biológico e a Doutrina Evolutionista
A definição de Julian
Huxley da evolução em biologia como um termo amplo para cobrir mudanças na constituição de unidades sistemáticas.
A aceitação da evolução como generalização da ciência descritiva das mudanças biológicas, estabelecida para além de qualquer dúvida.
A caracterização da Doutrina Evolutionista como um erro filosófico com consequências desastrosas, por pretender provar e explicar a evolução como nas ciências instrucionais.
A alegação ilegítima da Doutrina Evolutionista sobre a criação e o desígnio divino
A referência às “duas coisas” que Darwin fez: mostrar que a evolução contradizia as lendas scripturais da criação e que a sua causa, a seleção natural, era automática, sem espaço para orientação ou desígnio divino.
A refutação filosófica: “criação”, “orientação divina” e “desígnio divino” estão fora da possibilidade de observação científica.
A admissão da comprovação da seleção natural como agente de mudança evolutiva, passível de prova pela ação.
A ilegitimidade da extrapolação de que este mecanismo prova a automaticidade e a exclusão do divino, analogada à ideia de que encontrar dinheiro na rua prova que todos os rendimentos são assim obtidos.
A apresentação enganadora e as extrapolações infundadas da Doutrina Evolutionista
A crítica à apresentação da doutrina, que trai a probidade científica ao explicar sub-repticiamente a origem da vida, o desenvolvimento da consciência, da autoconsciência, da linguagem e das instituições sociais.
A citação de texto que pede a crença na origem da vida num “caldo” pré-biológico, com compostos orgânicos a rodearem-se de membranas.
A qualificação de tais especulações como indisciplinadas e temerárias, indignas do título de “cientista”.
A crítica de Karl Stern à teoria da evolução como pensamento esquizofrénico
A citação de Karl Stern, que apresenta uma formulação científica da teoria da evolução, desde a agregação de átomos até à aparição de um ser capaz de escolher o amor sobre o ódio e criar obras de arte supremas.
A qualificação desta visão da cosmogênese como “louca”, no sentido técnico de psicótica, com afinidades com o pensamento esquizofrénico.
A doutrinação generalizada e a natureza de fé do Evolutionismo
A constatação da contínua oferta deste pensamento como ciência objetiva, em particular através da doutrinação de crianças em todo o mundo.
A transformação do princípio metodológico de “explicar por causas observáveis” numa fé que exclui, ex hypothesi, a possibilidade de significados superiores.
A caracterização do Evolutionismo como uma fé degradada que vê a natureza como produto apenas do acaso e da necessidade, “um conto narrado por um idiota, sem significar nada”.
A supressão de objeções científicas e a negação da admiração
A menção ao artigo da The New Encyclopaedia Britannica que ignora as objeções de biólogos e cientistas credenciados, citando apenas objeções teológicas e políticas.
A referência a livros como The Transformist Illusion, de Douglas Dewar, como refutações científicas omitidas.
A caracterização do Evolutionismo como ficção científica ou um embuste que criou um conflito irreconciliável entre “ciência” e “religião”.
A destruição das fé que elevam a humanidade e a substituição por uma fé que a rebaixa, negando a admiração (“Nil admirari”) e qualquer hierarquia de “alto” e “baixo”.
O Evolutionismo como produto do materialismo utilitário do século XIX e a sua ameaça à civilização
A identificação do Evolutionismo como o produto mais extremo do materialismo utilitário do século XIX.
A incapacidade do pensamento do século XX de se libertar desta impostura como uma falha que pode causar o colapso da civilização ocidental.
A afirmação de que é impossível uma civilização sobreviver sem uma fé em significados e valores que transcendam o utilitarismo do conforto e da sobrevivência.
O Evolutionismo como causa principal da perda de fé religiosa
A observação de Martin Lings de que a teoria da evolução é a causa imediata da perda de fé religiosa no mundo moderno.
A impossibilidade, para os logicamente minded, de uma combinação de religião e evolutionismo, forçando uma escolha entre a doutrina da queda do homem e a “doutrina” da ascensão do homem.
A escolha do evolutionismo por milhões com base na alegação de ser uma “verdade cientificamente comprovada”.
A incapacidade do homem religioso, não cientista, de construir uma ponte no plano científico, sendo silenciado por jargão científico.
A necessidade de um argumento filosófico inicial contra o Evolutionismo
A conclusão de que o argumento inicial não deve ser no plano científico, mas filosófico.
A simples proposição filosófica: a ciência descritiva torna-se não científica ao indulgenciar em teorias explicativas compreensivas que não podem ser verificadas ou refutadas por experimentação.
A afirmação de que tais teorias não são “ciência”, mas “fé”.
A impossibilidade de derivar uma FÉ válida do Quarto Campo do Conhecimento
Evidências modernas que contradizem o materialismo utilitário do século XIX
A menção às conclusões de Wilder Penfield e às pesquisas de Harold Saxton Burr como exemplos de evidências que destroem as doutrinas materialistas.
A descrição da descoberta de Burr de que as formas de vida são ordenadas e controladas por campos eletrodinâmicos mensuráveis.
A interpretação desses campos como evidência instrumental de que o homem não é um acidente, mas parte integrante do Cosmos, sujeito às suas leis e participante do seu destino e propósito.
A destronização da química pelos campos eletrodinâmicos e a limitação metodológica
A afirmação de Burr de que a química (e a bioquímica com a sua mitologia do DNA) é apenas a “gasolina” que faz o “carro” funcionar, não determinando as propriedades funcionais de um sistema vivo.
A atribuição da direção do fluxo de energia aos fenómenos elétricos do campo eletrodinâmico, que são de importância primordial para entender o crescimento e desenvolvimento.
A constatação de que as doutrinas materialistas do século XIX se desfazem à medida que a ciência descritiva se torna mais refinada.
O sentido da autolimitação metodológica para as ciências instrucionais, mas a sua falta de sentido para as ciências descritivas, que omitem os aspectos mais interessantes do objeto descrito.
A coragem de cientistas que transcendem as limitações cartesianas
A referência a cientistas como Adolf Portmann e Heinrich Zoller, que tiveram a coragem de romper as paredes da prisão construídas pelos cartesianos modernos.
A mostra do “reino, o poder e a glória” de um Universo misteriosamente significativo por parte desses cientistas.
A unidade do conhecimento e a relação com os Quatro Campos
A afirmação da unidade do conhecimento, cuja demonstração separada dos Quatro Campos visa revelar a plenitude.
A destruição da unidade do conhecimento quando um ou mais Campos não são cultivados, ou quando um Campo é cultivado com metodologias inadequadas de outro.
A relação entre os Quatro Campos do Conhecimento e os Quatro Níveis de Ser
A necessidade de relacionar os Campos do Conhecimento com os Níveis de Ser para uma visão clara da Realidade.
A pouca aprendizagem sobre a natureza humana através do estudo exclusivo do Quarto Campo (aparências).
A pouca ou nenhuma aprendizagem sobre o reino mineral através do estudo das experiências internas, exceto em casos de sensibilidades superiores desenvolvidas.
A adequação metodológica para ciências instrucionais e descritivas
A adequação do confinamento das ciências instrucionais ao Campo 4, onde se obtém precisão matemática.
A traição das ciências descritivas ao imitarem as instrucionais e se confinarem à observação de aparências, tornando-se estéreis se não penetrarem o significado e o propósito.
A autoconhecimento requer o equilíbrio entre o Campo 1 e o Campo 3
A inutilidade do autoconhecimento baseado apenas no Campo 1 (experiências internas próprias).
A necessidade de equilibrá-lo com o estudo do Campo 3 (o conhecimento de nós mesmos como os outros nos conhecem).
O perigo social do homem que não busca o autoconhecimento, tendendo a mal interpretar os outros e a ignorar o significado de suas próprias ações.
O conhecimento social e o acesso indireto ao Campo 2
A importância do conhecimento social para estabelecer relações harmoniosas.
A obtenção de acesso indireto ao Campo 2 (as experiências internas de outros seres) através do autoconhecimento.
A refutação da acusação de que buscar autoconhecimento é virar as costas à sociedade.
A conclusão de que o homem que não busca o autoconhecimento é um perigo para a sociedade.