A Hierarquia do Ser e o Conhecimento da Vida Interior
A relação entre o Nível de Ser e a importância da vida interior versus a aparência exterior: Quanto mais elevado o Nível de Ser, maior a importância da experiência interior (“vida interior”) em comparação com atributos externos observáveis e mensuráveis.
A possibilidade de conhecimento da vida interior de outros seres: A capacidade de obter conhecimento sobre a vida interior de outros seres é maior até o nível humano, sendo praticamente nula em relação a plantas e minerais.
A interpretação da afirmação de São Paulo sobre a criação: A dificuldade de compreender a afirmação de São Paulo de que “toda a criação geme e está com dores de parto” quando aplicada a seres abaixo do nível humano.
O Desafio do Conhecimento do Outro: A Comunicação entre Pessoas Invisíveis
A dificuldade de acesso à vida interior alheia: A existência em um mundo de “pessoas invisíveis”, onde a maioria protege sua vida interior e a expressão genuína é notoriamente difícil.
A centralidade dos relacionamentos humanos para a existência: O reconhecimento de que a vida é definida pelos relacionamentos humanos, cuja qualidade não pode ser compensada por riqueza, saúde, fama ou poder.
A visão simplista da comunicação como transmissão de sinais visíveis: A crença comum de que a comunicação depende apenas da escuta da fala e da observação de movimentos corporais externos.
Os Quatro Estágios da Comunicação e suas Dificuldades
Primeiro estágio: Clareza do pensamento a ser transmitido: A necessidade de o comunicante saber com precisão o pensamento que deseja convey.
Segundo estágio: A primeira tradução (do pensamento para símbolos): O processo de encontrar símbolos visíveis e audíveis (gestos, palavras, entonação) que externalizem com precisão o pensamento interno.
Terceiro estágio: Recepção perfeita dos símbolos pelo ouvinte: A necessidade de o ouvinte capturar com exatidão tanto os elementos verbais quanto os não verbais da comunicação.
Quarto estágio: A segunda tradução (dos símbolos de volta ao pensamento): A integração dos símbolos recebidos pelo ouvinte e sua conversão de volta em pensamento.
A inherente laboriosidade e falibilidade do processo: A conclusão de que cada estágio está sujeito a erros, tornando a comunicação confiável extremamente difícil, como exemplificado por documentos legais e diplomáticos.
A Possibilidade de um “Encontro de Mentes” para Além da Lógica
A ocorrência milagrosa da comunicação perfeita na vida real: A possibilidade de uma “reunião de mentes” que transcende definições elaboradas, onde palavras e gestos funcionam como um convite, e não como uma linguagem computacional.
A consequência da falha em alcançar esse encontro: A existência se torna uma agonia e um desastre quando o conhecimento mútuo do “eu” e do “tu” não é alcançado.
A pergunta fundamental sobre a aquisição de conhecimento do outro: A questão “O que posso fazer para adquirir maior conhecimento e compreensão do que se passa dentro das pessoas com as quais vivo?”.
A Autoconhecimento como Pré-Condição para o Conhecimento do Outro
A resposta unânime das tradições de sabedoria: O princípio de que “Só se pode entender outros seres na medida em que se conhece a si mesmo”.
A limitação da observação e da escuta sem a interpretação correta: A condição prévia para a interpretação correta dos dados obtidos pela observação é a experiência interior e o autoconhecimento.
O princípio da adaequatio aplicado à experiência interior: A necessidade de uma correspondência (adaequatio) item por item entre a experiência interior de quem observa e a de quem é observado, ilustrada pelo exemplo da dor física.
A Realidade da Vida Interior e sua Negação na Mentalidade Moderna
A invisibilidade e a realidade das experiências interiores: A gama de experiências interiores (amor, ódio, alegria, tristeza) como realidades invisíveis, mas teimosamente factuais.
A contradição ao considerar real apenas o observável externamente: O choque de perceber que a dor, sendo real, é inobservável pelos sentidos externos, levando à sua desclassificação como “subjetiva” e não científica.
A tendência de negar a complexidade da vida interior alheia: A conveniência de assumir que outros seres não possuem uma vida interior tão complexa e vulnerável quanto a própria.
A observação de J. G. Bennett sobre intenções e ações: A tendência de nos vermos à luz de nossas intenções (invisíveis) e os outros à luz de suas ações (visíveis), gerando mal-entendidos e injustiças.
A Cultivo Sistemático do Autoconhecimento como Único Caminho
A necessidade de levar a própria vida interior a sério: A condição para levar a vida interior do próximo a sério é observar e compreender seriamente a própria vida interior.
A contradição das exortações sem a base do autoconhecimento: A ineficácia das exortações modernas para amar o próximo na ausência do cultivo do autoconhecimento.
A substituição do conhecimento genuíno por sentimentalismo e teorias triviais: O colapso do sentimentalismo diante do interesse próprio e o surgimento de doutrinas psicológicas e econômicas grosseiras para “explicar” os outros.
A Rejeição Moderna do Trabalho Interior e suas Consequências
O paradoxo da acusação de egoísmo contra quem busca autoconhecimento: A acusação de egoísmo e abandono dos deveres sociais dirigida a quem se dedica a práticas como satipatthana, ioga ou a Oração de Jesus.
A irracionalidade de esperar sabedoria de quem não fez trabalho interior: A impossibilidade de esperar qualidades elevadas de pessoas que nunca realizaram trabalho interior, comparadas a uma “pianola” que toca música mecânica ou a um computador que executa programas pré-arranjados.
A rejeição programática da religião como força despertadora: A rejeição da religião, vista como dogmatismo moralizante, que priva a humanidade da força necessária para alcançar a autoconsciência, o autodomínio e o autoconhecimento.
A Comunicação como Experiência Interior e o Papel do Corpo
A compreensão dos símbolos como experiência interior: A afirmação de que os símbolos da comunicação não podem ser entendidos como fórmulas matemáticas, mas devem ser experienciados interiormente, pela autoconsciência.
A teoria de
William James sobre a emoção e a expressão corporal: A hipótese de William James de que a emoção sentida é o resultado de mudanças corporais, destacando a conexão íntima entre o sentimento interior e a expressão corporal.
O corpo como instrumento de conhecimento: A identificação do corpo como uma ponte misteriosa entre o invisível e o visível e como instrumento de conhecimento, exemplificado pelo aprendizado do bebê através da imitação.
O Controle do Corpo e da Mente para o Autoconhecimento
O foco dos métodos de autoconhecimento no corpo: A atenção dada pelas metodologias de autoconhecimento (Campo 1) às posturas e gestos corporais, pois o controle do corpo é o primeiro passo para o controle da função pensamento.
A agitação corporal e mental como impedimento: A agitação incontrolável do corpo produzindo agitação mental incontrolável, condição que impossibilita o estudo sério do mundo interior.
A Quietude Interior e a Visão Clara (Vipassana)
O estabelecimento da quietude interior e o surgimento do “programador”: A superação do “computador” quando se estabelece um alto grau de calma interior, permitindo que o “programador” entre em ação.
A vipassana budista e o encontro com um Nível de Ser superior: A visão clara (vipassana) no Budismo e o encontro com um nível superior de ser no Cristianismo.
A dificuldade de distinguir entre infra-humanidade e supra-humanidade: A incapacidade de compreender a linguagem daqueles que experienciaram níveis superiores, exigindo a avaliação de sua vida como um todo para distinguir entre loucura inferior e superior.
A citação de Shakespeare sobre a culpa ser nossa: A afirmação de que a falha em compreender o que está acima de nós reside em nós mesmos, que somos “subalternos”.
A Busca por “Estados Superiores de Consciência” e os Perigos do Oculto
A aspiração superficial por estados superiores de consciência: A crítica à busca de “estados superiores de consciência” baseada em noções fantásticas e associada à incapacidade de distinguir entre o espiritual e o oculto.
O aviso do Venerável Mahasi Sayadaw sobre experiências extraordinárias: O aviso do mestre de Meditação Satipatthana sobre a ocorrência de experiências como luzes brilhantes, êxtase e felicidade, que não devem ser confundidas com a Iluminação.
A advertência de São João da Cruz sobre as percepções sensoriais sobrenaturais: A exortação do santo para fugir de representações e objetos de tipo sobrenatural que chegam aos sentidos corporais, sem tentar ascertain se são bons ou maus.
A definição de uma Nova Consciência genuína: A condição para que a Nova Consciência seja genuína: surgir de uma busca autêntica pelo autoconhecimento (Campo 1) e avançar para o estudo da vida interior de outros seres (Campo 2).
O Trabalho Interior como Raiz das Religiões Autênticas
A ioga como raiz de todas as religiões autênticas: A definição do trabalho interior, ou ioga, como a raiz principal de todas as religiões autênticas, denominada “a psicologia aplicada da religião”.
A crítica à religião sem psicologia aplicada: A afirmação de W. Y. Evans-Wentz de que a religião sem os métodos científicos da ioga é completamente inútil, resultando em “cegos guiando cegos”.
O apelo para o exame científico não preconceituoso da ioga: A pergunta de Evans-Wentz sobre a sabedoria do homem ocidental em não examinar cientificamente o método oriental para a compreensão científica do lado oculto da natureza humana.
A condição prévia de ordem interior para a aplicação da ioga: A exigência de que os métodos científicos da ioga só podem ser aplicados por aqueles preparados para pôr sua própria casa em ordem através da disciplina e do trabalho interior sistemático.
A Autoconhecimento e a Comunicação com Seres de Níveis Inferiores
A extensão do conhecimento para animais e plantas: A possibilidade de compreender a vida interior de animais e plantas através do autoconhecimento e do autodomínio, exemplificada por São Francisco.
A comunicação como atributo do “programador” e não do “computador”: A capacidade de comunicação que transcende o quadro comum de tempo e espaço, acessível ao “programador” e não ao “computador”.
O conselho de Ernest E. Wood sobre não fixar metas: A advertência para o noviço contra os perigos da autojulgamento e da fixação de metas, confiando no trabalho das forças superiores.
Exemplos de Manifestação de Possibilidades Humanas Superiores
O Caso de Jakob Lorber e a “Nova Revelação”
A vida e o chamado de Jakob Lorber: A obediência de Lorber a uma voz interior que, a partir de 15 de março de 1840, o ordenou a escrever durante vinte e quatro anos.
A característica e o conteúdo da obra de Lorber: A produção de uma monumental “Nova Revelação”, incluindo um Novo Evangelho de São João em dez volumes, contendo alta sabedoria e antecipações científicas, escrita de forma fluida e sem correções.
A humildade e a atribuição da fonte por Lorber: A convicção de Lorber de que o conteúdo não fluía de sua própria mente, mas de uma fonte superior, que ele identificava como Jesus Cristo.
O Caso de Edgar Cayce e as “Leituras” Psíquicas
A vida e a obra de Edgar Cayce: A produção de mais de catorze mil registros stenográficos de “leituras” dadas em estado de transe, diagnosticando doenças de estranhos à distância.
A modéstia e a explicação de Cayce para sua capacidade: A atribuição de sua capacidade a um afastamento da personalidade para sintonizar com uma fonte universal de conhecimento, acessível a todos que paguem o preço do desapego do interesse próprio.
O Caso de Therese Neumann e o Jejum Extraordinário
A vida e o fenômeno de Therese Neumann: O fato notável de Therese Neumann ter vivido trinta e cinco anos sem ingerir líquidos ou alimentos, exceto a Eucaristia diária, observado e investigado continuamente.
A Característica Comum: Submissão a um Nível Superior de Ser
A característica religiosa e a fonte do conhecimento e poder: A característica comum a Lorber, Cayce e Neumann de serem personalidades religiosas que atribuíam todo seu conhecimento e poder a Jesus Cristo.
A libertação das limitações humanas comuns: A ilustração da verdade paradoxal de que os “poderes superiores” surgem não pela conquista da personalidade, mas pela cessão da busca por poder e pelo desejo transcendental ou amor a Deus.