CAMPOS DE CONHECIMENTO I

SCHUMACHER, E. F. A Guide for the Perplexed. New York: Perennial, 1977

O primeiro marco escolhido para a construção do nosso mapa e guia filosófico é a estrutura hierárquica do mundo—quatro grandes Níveis de Ser, nos quais o nível superior sempre “compreende” os níveis abaixo dele.

O segundo marco é a estrutura similar (no sentido de “correspondente”) dos sentidos humanos, habilidades e poderes cognitivos, pois não se pode experienciar qualquer parte ou faceta do mundo a menos que se possua e se use um órgão ou instrumento através do qual se é capaz de receber o que está sendo oferecido. Se não se tem o órgão ou instrumento necessário, ou se deixa de usá-lo, não se é adequado a esta parte ou faceta particular do mundo, com o resultado de que, no que diz respeito a nós, ela simplesmente não existe. Esta é a Grande Verdade da “adaequatio”.

Segue-se desta verdade que qualquer negligência sistemática ou restrição no uso dos nossos órgãos de cognição deve inevitavelmente ter o efeito de fazer o mundo parecer menos significativo, rico, interessante, e assim por diante do que ele realmente é. O oposto é igualmente verdadeiro: o uso de órgãos de cognição que por uma razão ou outra normalmente jazem dormentes, e o seu desenvolvimento sistemático e aperfeiçoamento, capacitam a descobrir novo significado, novas riquezas, novos interesses—facetas do mundo que haviam sido previamente inacessíveis.

Viu-se que as ciências modernas, em um esforço determinado para alcançar objetividade e precisão, de fato restringiram o uso dos instrumentos humanos de cognição de uma maneira bastante extrema: de acordo com alguns intérpretes científicos, a observações de escalas quantitativas por visão daltônica e não estereoscópica. Tal metodologia produz necessariamente um quadro do mundo virtualmente confinado ao nível mais baixo de manifestação, o da matéria inanimada, e tende a sugerir que os Níveis Superiores de Ser, incluindo os seres humanos, na verdade não são nada mais que átomos em arranjos um tanto complexos. Procede-se agora a aprofundar um pouco mais este assunto. Se a metodologia atual produz um quadro incompleto, unilateral e grosseiramente empobrecido, que métodos precisam ser aplicados para se obter o quadro completo?

Observou-se frequentemente que para cada um de nós a realidade se divide em duas partes: Eis aqui eu; e eis ali todo o resto, o mundo, incluindo ti.

Também se teve ocasião de observar outra dualidade: há visibilidades e invisibilidades ou, poderia-se dizer, aparências externas e experiências internas. Estas últimas tornam-se relativa e progressivamente mais importantes que as primeiras à medida que se ascende a Grande Cadeia do Ser. Embora as experiências internas inquestionavelmente existam, elas não podem ser observadas pelos sentidos ordinários.

Destes dois pares

“Eu”“O Mundo”
“Aparência Externa”“Experiência Interna”

obtêm-se quatro “combinações”, que se pode indicar assim:

1. Eu-interno3. Eu—externo
2. O mundo (tu)-interno4. O mundo (tu)-externo.

Estes são os Quatro Campos do Conhecimento, cada um dos quais é de grande interesse e importância para cada um de nós. As quatro questões que levam a estes campos do conhecimento podem ser postas assim:

1. O que está realmente ocorrendo no meu próprio mundo interno?

2. O que está ocorrendo no mundo interno de outros seres?

3. Qual é a minha aparência aos olhos de outros seres?

4. O que realmente observo no mundo ao meu redor?

Para simplificar de uma maneira extrema poder-se-ia dizer:

1. O que sinto?

2. O que sentes?

3. Qual é a minha aparência?

4. Qual é a tua aparência?

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