MAGNETISMO ANIMAL E MAGIA

Um capítulo da obra intitulada : « De la Volonté dans la Nature ». Ou como as ciências exatas vieram confirmar a filosofia do autor desde o momento de sua publicação. VERSÃO FRANCESA ORIGINAL

Em 1818, quando da publicação da obra principal de Schopenhauer, o magnetismo animal havia recentemente conquistado reconhecimento, mas sua explicação permanecia incompleta — o lado passivo contava com alguma luz teórica, enquanto o lado ativo permanecia obscuro.

A experiência posterior demonstrou que o agente eficaz do magnetismo não é nenhum fluido material, mas a própria vontade do magnetizador.

Segundo a doutrina de Schopenhauer, o organismo é a manifestação visível da vontade, o que explica por que o ato exterior coincide com o ato interior de vontade.

O poder imediato da vontade sobre outrem é ilustrado por testemunhos notáveis, entre eles o de Jean Paul.

A vontade, demonstrada como coisa em si e única realidade do ser, produz no magnetismo animal fenômenos inexplicáveis pelas leis da causalidade ordinária, revelando uma dominação metafísica sobre a natureza.

A crença na magia, universal em todos os povos e épocas, foi confirmada parcialmente pelo magnetismo animal e pelas curas simpáticas, reabilitando o que o século XVIII havia descartado.

O maleficium e a fascinatio, formas maléficas da magia, recebem confirmação analógica a partir dos mesmos princípios que explicam o magnetismo benéfico.

A transformação filosófica operada por Kant preparou o terreno para a revisão alemã da atitude perante a magia, ao demonstrar que as leis do mundo material não são leis absolutas.

A história da magia, em todos os tempos e lugares, revela uma ideia fundamental: além da causalidade física, deve existir outro modo de ação baseado no ser em si das coisas.

A origem dessa ideia universal da magia está no sentimento interior da onipotência da vontade como essência íntima do homem e de toda a natureza.

A interpretação teúrgica e demonológica da magia é apenas um véu explicativo sobre a coisa em si — que é sempre a ação da vontade.

Tanto a teoria equivocada do mágico quanto a de Mesmer no início não impediram a eficácia da vontade — teoria e prática são inteiramente separadas.

Os pensadores mais profundos que se dedicaram à prática mágica reconheceram que o agente eficaz é sempre a vontade — não os demônios nem os ritos externos.