Libertação da consciência das autoridades da metafísica medieval inicia-se com
Bacon, que reduz as fontes do conhecimento à experiência sensível e à indução, e com
Descartes, que, duvidando da realidade das representações sensíveis e da validade objetiva das verdades gerais, desfaz o tecido artificial da velha metafísica. Descartes, dando o primeiro impulso decisivo ao movimento de libertação total, busca um princípio absolutamente certo, independente de toda pressuposição, começando pela dúvida metódica e chegando ao
cogito, mas seu método, ainda preso a conceitos intermediários e à crença na veracidade divina, não consegue fundar uma ciência verdadeiramente autônoma. Sua tentativa de provar a existência de Deus pelo argumento ontológico, considerando a existência uma perfeição, permanece insatisfatória, pois não demonstra como do ser perfeitíssimo emerge um mundo de limitações.