A potência enganadora que se apresenta à vontade. O poder (Können) que se apresenta à consciência como incondicionado é, na verdade, apenas aparente e transitório. Enquanto permanece em si, imanente, é poder; ao se exteriorizar, deixa de sê-lo. Este poder que se mostra como potência para um outro ser é uma magia ilusória, uma 'Apátē' (Engano). Em Hesíodo, 'Apátē' não significa mentira comum, mas o Engano primordial (Ur-täuschung), origem de toda a vida ilusória do homem alienado de seu ser. Esse poder ilusório que se apresenta à vontade como incondicionado constitui a tentação. É necessária uma tentação para incitar a vontade a sair de si mesma. Na Antiguidade, esse tentador imediato é frequentemente representado pela figura da serpente, símbolo da ambiguidade maléfica que, enrolada sobre si, representa a imobilidade, mas que, ao desdobrar-se, revela sua mordida mortal. A serpente é a imagem da possibilidade equívoca que age sobre a vontade, precipitando-a no processo mitológico.