A separação das três potências no ser realizado de Deus torna possível a coexistência simultânea delas como totalidade, mas essa unidade orgânica ainda não se exprime de modo decisivo enquanto cada potência não se diferencia internamente em uma série de níveis.
A constituição de um todo vivo exige que cada potência se desdobre em hierarquia própria, tornando visível como cada uma contém, a seu modo, as três forças em si mesma.
O desdobramento hierárquico é movido pela força de atração, pela qual elementos com maior afinidade se aproximam de níveis superiores e elementos com menor afinidade ocupam posições inferiores.
A estrutura exemplar desse desdobramento aparece quando a terceira força no interior da primeira potência é atraída para o que lhe é superior e, por isso, é aproximada da segunda potência, enquanto a segunda força da primeira potência assume posição intermediária e a primeira força assume posição inferior.
O resultado é que cada uma das duas primeiras potências se organiza como hierarquia de formas, ao passo que a terceira potência permanece caso especial, pois não corresponde a um mundo próprio.
A diferenciação exaustiva das potências produz o mundo eterno das ideias no intelecto divino, situado fora do ser próprio de Deus e, contudo, não constituindo um mundo real separado.
Esse mundo eterno de ideias é apenas a visão do mundo possível que poderia ser criado por um querer livre, não sendo ainda mundo efetivo.