Essa desatenção ao real é a marca mais característica do moralismo, venha de
Sartre ou de qualquer autor apaixonado por moral, e é também o que há de propriamente desagradável em toda moral: não só erigir-se em juiz e pretender constranger cada um ao seu ponto de vista, mas sobretudo fazer desaparecer o objeto de que fala em proveito das instruções que dele quer extrair, como se descarta uma embalagem vazia após o uso.