Rosa

Hartmut Rosa (1965–)

Sociólogo, teórico social e filósofo político alemão, professor de Sociologia Geral e Teórica na Universidade Friedrich Schiller de Jena e diretor do prestigiado Max-Weber-Kolleg para Estudos Culturais e Sociais da Universidade de Erfurt, Hartmut Rosa é um dos mais proeminentes expoentes da contemporaneidade filiados à quarta geração da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt. Formado em Ciência Política, Filosofia e Germanística na Universidade de Friburgo e doutorado pela Universidade Humboldt de Berlim sob a orientação de Axel Honneth, Rosa dedicou a sua carreira acadêmica à reconstrução e atualização da crítica da alienação no capitalismo tardio. Seu projeto teórico notabilizou-se pela formulação de uma sociologia sistemática da aceleração temporal e pela elaboração da categoria de “ressonância” (Resonanz) como contraponto ontológico e normativo à alienação, fundando uma sociologia da relação com o mundo que articula diagnósticos temporais estruturais à crítica das patologias psicossociais da vida contemporânea.

1. Obras Monográficas e Tratados Teóricos Fundamentais (Edições Originais)

2. Obras Coletivas e Debates Teóricos Fundamentais

3. Principais Edições e Traduções em Língua Portuguesa

4. Eixos Metodológicos e Arquitetura Teórica

1. Alienação perante o espaço: A perda do vínculo afetivo e fisionômico com os lugares, convertidos em nós funcionais de trânsito indiferenciado;

  2. Alienação perante as coisas: A obsolescência programada e a velocidade do consumo impedem que os objetos materiais adquiram uma história íntima e partilhada com o indivíduo;
  3. Alienação perante as ações cotidianas: O sujeito faz constantemente coisas que não quer realmente fazer, acossado pela lógica imperativa da lista de pendências (//to-do list//);
  4. Alienação perante o tempo: O tempo cronológico decorre vertiginosamente rápido, mas a memória biográfica revela-se vazia, sem eventos verdadeiramente integrados à experiência vivida (//Erfahrung//);
  5. Alienação perante si e os outros: A transformação da subjetividade em uma empresa de autorrendimento, onde os vínculos afetivos e a própria corporeidade são gerenciados sob a métrica do desempenho.
* A Teoria da Ressonância como Relação com o Mundo: Contra o diagnóstico puramente pessimista da alienação, Rosa constrói a "ressonância" (//Resonanz//) como categoria ontológica positiva de emancipação e florescimento humano. A ressonância não é um estado psicológico subjetivo passageiro (como a euforia ou o mero prazer sensível), mas um modo específico de relação dialógica entre o sujeito e o mundo. A relação de ressonância é estruturada por quatro momentos necessários:
  1. Afeição (//Afizierung//): A experiência de ser tocado ou interpelado internamente por algo exterior (uma obra de arte, uma pessoa, uma paisagem, uma ideia teórica);
  2. Emoção ou autoeficácia (//Emotion// / //Selbstwirksamkeit//): A capacidade de o sujeito responder ativamente a esse apelo, transformando a si mesmo e ao seu entorno através do próprio gesto expressivo;
  3. Transformação (//Transformation//): O processo no qual o sujeito sai do encontro irrevogavelmente modificado, sem permanecer idêntico ao estado inicial anterior;
  4. Indisponibilidade intrínseca (//Unverfügbarkeit//): A impossibilidade constitutiva de planejar, calcular, comprar, forçar ou controlar tecnicamente a ocorrência da ressonância.
* A Crítica da Indisponibilidade (Unverfügbarkeit) contra a Fúria de Domínio: No prolongamento de sua crítica à técnica contemporânea, Rosa demonstra que o projeto civilizacional moderno organizou-se em torno do impulso de tornar o mundo totalmente "disponível" (//verfügbar//): mapear, dominar, acessar, monetizar e controlar todos os recantos da natureza, da biologia e da vida interior. No entanto, esse projeto colapsa sobre si mesmo: à medida que todas as coisas tornam-se completamente manipuláveis e domesticadas, o mundo perde a sua capacidade de interpelação e cala-se, tornando-se mudo, hostil e indiferente. A experiência autêntica do sentido depende incontornavelmente da vulnerabilidade perante aquilo que escapa ao controle soberano da vontade calculista. A vida só ressoa quando o homem aceita coexistir com a alteridade radical do mundo e a sua inerente indisponibilidade.