Definição inaugural de filosofia especulativa como método em Process and Reality.
Análise da proposição “conhecimento importante” (important knowledge) e sua dimensão técnica, diferenciando-a de meras generalizações de extensão.
A tarefa primeira da filosofia especulativa: organização, exposição e construção de um método, constituindo o objeto central da obra.
Contextualização histórica do método: a irreversibilidade introduzida por William James e o pragmatismo.
Comparação entre o ensaio “A Consciência Existe?” de James e o Discurso do Método de Descartes, enquanto marcos de redefinição dos problemas filosóficos.
Pragmatismo compreendido não como teoria ou visão de mundo, mas estritamente como método, conforme insistência do próprio James.
Exposição do método pragmático em seus dois aspectos fundamentais.
Primeiro aspecto: método de avaliação de ideias e sistemas filosóficos, tal como formulado por C.S. Peirce.
Regra fundamental: considerar os efeitos concebíveis com consequências práticas como a totalidade da concepção do objeto.
Deslocamento da questão da verdade: a verdade como evento que “acontece” às ideias, um predicado adquirido.
Segundo aspecto: método de invenção de ideias, derivado de uma proposição sobre a natureza da experiência.
Proposição fundamental: “O que realmente existe não são coisas feitas, mas coisas em fazimento” (William James).
Correlação transformada em analogia: entre o movimento das coisas em processo de devir e o movimento das ideias em construção.
Posição de Whitehead em relação ao pragmatismo: reconhecimento da dívida intelectual e demarcação de diferenças.
Preocupação explícita em resgatar o pensamento de James, Dewey e Bergson da acusação de anti-intelectualismo.
Transição para um racionalismo radical como contexto para a especificação do método especulativo.
Definição canônica do método especulativo: esforço para elaborar um sistema coerente, lógico e necessário de ideias gerais.
Interpretação dos componentes da definição não como descrição de um sistema, mas como enunciação das restrições constitutivas do método.
Divisão das restrições em dois grupos interconectados: dimensão racional e dimensão empírica.
Restrições da dimensão empírica: aplicabilidade e adequação.
Redefinição radical do conceito de adequação: não como correspondência a uma experiência observada, mas como exigência de que experiências relacionadas exibam a mesma textura.
Adequação como imperativo de generalização: construção de relações e conexões que permitam pensar a experiência como multiplicidade de elementos conectados.
Aplicabilidade como restrição de validação: teste permanente da capacidade do esquema em interpretar alguns elementos da experiência.
Distinção pragmática (não lógica) entre adequação (capacidade relacional do esquema) e aplicação (capacidade de dar conta das particularidades).
Limites intrínsecos ao projeto de adequação: fraqueza da intuição e deficiências da linguagem.
A linguagem como ferramenta da filosofia, exigindo redesenho e extensão para além dos usos ordinários.
Crítica à herança linguística, em particular à forma sujeito-predicado, e necessidade de construção de uma sintaxe abstrata.
Restrições da dimensão racional: necessidade, logicidade e coerência.
Necessidade reinterpretada: não como fundamento primeiro, mas como caráter imanente ao esquema que traz sua própria garantia de universalidade.
Logicidade como função negativa de evitar inconsistências, porém com importância secundária.
Coerência como a restrição central e definidora da dimensão racional, distinta da mera consistência lógica.
Coerência como produtora de harmonias e sistema orgânico de elementos interconectados.
Análise da coerência como recusa da “incoerência” cartesiana.
Crítica à visão cartesiana de pensamento como conjuntos de proposições autônomas e autoevidentes.
Proposição alternativa: toda entidade remete a um fundo infinito de pressuposições, exigindo o universo sistemático para seu status completo.
Princípio relacional: a compreensão de qualquer elemento da experiência imediata conduz além de si mesmo, para seus contemporâneos, passado, futuro e universais.
Dinamismo do método especulativo: interação contínua e recomposição recíproca entre as restrições empíricas e racionais.
Metáfora do voo do aeroplano para ilustrar o método: decolagem da observação particular, voo na generalização imaginativa e aterrissagem para observação renovada.
O caráter dinâmico pertence às própri ideias, impedindo uma estabilização definitiva do esquema.
Função última do método: elucidar ou desvelar a experiência imediata.
Conceito técnico de interpretação como elemento de comunicação contínua entre o empírico e o racional.
Definição de interpretação: tudo de que temos consciência deve ter o caráter de uma instância particular do esquema geral.
Interpretação como operação que desloca a experiência particular para um universo relacional de interações e pressuposições recíprocas.
Conclusão: a filosofia especulativa é, em sua essência, um método de interpretação.