O exemplo paradigmático: distinção de
Locke entre qualidades primárias e secundárias dos corpos.
Qualidades primárias (originais): solididade, extensão, figura, movimento/repouso. Inseparáveis do corpo, de ordem físico-matemática.
Exemplo do grão de trigo: mesmo dividido até partes insensíveis, retém essas qualidades.
A natureza reduzida a apenas qualidades primárias seria “inodora, incolore, insípida”, um “vaivém de matéria incessante e insignificante”.
Crítica ao “materialismo científico” que postula uma matéria bruta, destituída de sentido, valor e propósito.
Qualidades secundárias: cores, sons, sabores, etc. São “poderes” dos corpos de produzir sensações em nós por meio das qualidades primárias.
Teoria das “adições psíquicas”: qualidades secundárias são modos da mente perceber a natureza, acrescentados à realidade física.
Exemplo: a bola de bilhar vermelha é percebida com suas qualidades primárias, mas a cor vermelha e o som do impacto são adições psíquicas.
Operação da bifurcação: partir da experiência imediata (ex: a grama verde) e dividi-la em:
Conhecimento, nesta visão, torna-se correlação entre aparências (qualidades segundas) e conjecturas (qualidades primárias).
A invenção moderna da natureza se dá por operações locais de qualificação dos corpos, não por uma posição ontológica prévia.
Os dispositivos experimentais (ex: plano inclinado de Galileu) são artefatos que realizam e ocultam este gesto de bifurcação.