Karl Popper (1902-1994)
J. Russ, N. Baraquin, J. Laffitte. Dictionnaire des philosophes.
Popper é um filósofo epistemólogo de origem austríaca que subverteu todos os grandes princípios da epistemologia clássica, propondo um novo método científico e uma nova teoria do conhecimento.
Frequentou o Círculo de Viena, cujos princípios fundamentais questionou: o critério de verificabilidade, o princípio da indução e a noção de certeza e evidência científica.
Propôs à epistemologia contemporânea princípios inteiramente novos, como a “falsificabilidade” e o “falibilismo” — únicos critérios decisivos, ainda que negativos, de cientificidade.
Estabeleceu o caráter conjetural do conhecimento científico, que, sendo objetivo e dotado de alcance ontológico, procede por aproximações sem fim.
Sua filosofia política e sua filosofia da história espelham sua epistemologia: contra o fechamento do historicismo, reivindica um futuro e uma sociedade abertos.
A trajetória intelectual e institucional de Popper foi marcada pelo exílio imposto pelo nazismo e por uma carreira construída entre a Nova Zelândia, o Reino Unido e os Estados Unidos.
Nasceu em Viena, onde realizou estudos superiores de matemática, física e filosofia, obtendo o doutorado em filosofia em 1928.
Forçado pelo nazismo a deixar a Áustria, refugiou-se na Nova Zelândia, onde ensinou filosofia e permaneceu até 1945.
Graças à amizade de seu compatriota, o economista Hayek, obteve uma cátedra de lógica e metodologia das ciências na London School of Economics.
Ensinou também em várias universidades americanas e, ao longo de toda a carreira, participou de inúmeras controvérsias, distinguindo-se por seu espírito polêmico.