Millay Hyatt

PLESSNER, Helmuth. Die Stufen des Organischen und der Mensch: Einleitung in die philosophische Anthropologie. Berlin/Leipzig: Walter de Gruyter, 1928. (2ª ed. ampliada com prefácio teórico: Berlin: Walter de Gruyter, 1965).

Prefácio do tradutor da versão inglesa

1. A tradução da obra principal de Plessner para o inglês procura conciliar a máxima legibilidade com a preservação do sentido original, embora esse esforço permaneça inevitavelmente aquém de seu ideal, em consonância com a própria compreensão plessneriana da expressão.

2. O aparato acadêmico foi reduzido ao mínimo, preservando-se as notas do original alemão, salvo indicação contrária, e substituindo-se as referências bibliográficas pelas edições inglesas disponíveis.

3. A inclusão pontual do original alemão entre colchetes permite preservar significados importantes que poderiam desaparecer na tradução, especialmente em construções paralelas ou em distinções entre palavras alemãs traduzidas por um mesmo termo inglês.

4. Um glossário dos principais termos foi acrescentado como apêndice, organizado tanto do inglês para o alemão quanto do alemão para o inglês.

5. A compreensão predominantemente autônoma da obra pode ser favorecida por esclarecimentos prévios sobre algumas escolhas terminológicas e particularidades conceituais.

6. A intuição (Anschauung), retomada e modificada a partir da tradição kantiana, designa principalmente uma faculdade de acesso às características qualitativas das coisas, incluindo qualidades sensíveis e propriedades dos limites de seres vivos e não vivos, sem implicar separação dualista em relação ao objeto ou confinamento dos conteúdos na consciência.

7. O termo alemão Intuition e suas variantes aparecem sobretudo em referência a Bergson e Spengler, com um significado mais próximo do uso cotidiano, enquanto as demais ocorrências de intuição e de seus adjetivos devem ser compreendidas no sentido filosófico técnico de Anschauung.

8. A experiência (Erfahrung) designa frequentemente o domínio empírico da tradição epistemológica, abrangendo tanto a experiência sensorial cotidiana quanto a observação científica, a experimentação e a teoria empiricamente fundamentada, ao passo que Erlebnis remete ao fenômeno mais amplo da experiência vivida.

9. A tradução de Geisteswissenschaften por humanidades deve ser compreendida em um sentido suficientemente amplo para incluir, em determinadas circunstâncias, a psicologia e a sociologia, pois a delimitação dessas disciplinas e de suas relações com as ciências da natureza integra o debate filosófico alemão ao qual a investigação de Plessner pretende contribuir.

10. A tradução frequente de Wirklichkeit e Realität por realidade preserva seu emprego amplo e por vezes intercambiável, mas pode ocultar a diferença entre a efetividade e a incidência direta sobre a consciência ou a ação associadas ao primeiro termo e a existência independente do conhecimento ou acessível sem envolvimento direto sugerida pelo segundo.

11. A prevenção de equívocos decorrentes dessas diferenças conceituais exige a adoção de procedimentos terminológicos específicos.

12. As formas wirklich e real são diferenciadas na tradução inglesa, respectivamente, por termos correspondentes a efetivo ou efetivamente e real ou realmente, mantendo-se essa correspondência em todas as ocorrências, salvo indicação expressa.

13. Realität é traduzido invariavelmente por realidade, enquanto Wirklichkeit recebe preferencialmente uma tradução correspondente a efetividade, admitindo-se realidade quando necessário à clareza e sempre com indicação do termo original.

14. Quando realidade, real ou suas variantes se repetem em uma mesma frase, a indicação do original alemão na primeira ocorrência estende-se às seguintes, salvo esclarecimento contrário.

15. O termo reell, traduzido por real, conserva o sentido técnico husserliano de algo imediatamente presente ou conhecido pela consciência, sendo acompanhado do original alemão em todas as ocorrências para evitar confusão.

16. A distinção entre Körper e Leib corresponde fundamentalmente à diferença entre o corpo físico, considerado como coisa situada no espaço e no tempo, e o corpo vivido pelo sujeito ao qual pertence, sendo preservada por escolhas terminológicas específicas que também diferenciam suas formas adjetivais.

17. A terminologia espacial de Plessner distingue as estruturas situadas no espaço físico (räumlich) das estruturas de caráter espacial (raumhaft), que apresentam semelhanças com as primeiras sem se submeterem ao mesmo conjunto estrito de relações, estabelecendo-se uma distinção análoga entre temporal (zeitlich) e de caráter temporal (zeithaft).

18. A tradução inglesa de posicionalidade (Positionalität) estabelece uma proximidade etimológica mais ampla com os termos empregados para posição, posicionamento, contraposição, oposição e colocação do que aquela existente entre as respectivas expressões alemãs, reforçando sua articulação em torno desse conceito central.

19. Os termos Grenze, begrenzt e Begrenzung recebem traduções uniformes correspondentes a limite, limitado e condição de ser limitado, preservando-se seu estatuto técnico mesmo quando essa consistência produz construções menos naturais em inglês.

20. As expressões preposicionais empregadas para descrever as relações dos seres com seus corpos, núcleos, limites e ambientes evitam deliberadamente construções reflexivas nos níveis orgânicos anteriores à excentricidade, reservando a reflexividade gramatical à capacidade de autorreflexão e exigindo, por vezes, a repetição explícita do referente na tradução inglesa.

21. As expressões preposicionais decisivas para a argumentação devem ser compreendidas como termos técnicos, cujo original alemão é apresentado na primeira ocorrência relevante e cujo significado pode ser esclarecido mediante o glossário e o índice.

22. A definição do título inglês resultou de um diálogo com os editores e representantes da Fundação Helmuth Plessner, privilegiando níveis em lugar de estágios para evitar implicações temporais ou genealógicas, vida orgânica para preservar a amplitude de Organischen e humano para expressar com maior precisão o alcance de Mensch.

23. O emprego do pronome masculino preserva uma característica do original alemão e de seu contexto histórico, enquanto Mensch é traduzido por humano para manter a abrangência pretendida pela investigação.