UM MANUSCRITO DE MOBY DICK
Tal é o mundo de Ahab, e este é um mundo maléfico. Melville quis dizer exatamente o que escreveu à Hawthorne quando o livro foi consumado1) :
“Escrevi um livro iníquo, e me sinto imaculado como o cordeiro.”
O “livro iníquo” de Melville é o drama de Ahab, seu ódio ardente pela Baleia Branca, e sua vingativa perseguição à baleia desde o momento que o navio se lança como destino dentro do Atlântico. É esta ação, não o romance todo “Moby Dick”. O mundo de “Moby Dick” contém mais, algo diferente. Talvez a diferença seja a razão porque Melville se sentiu “tão imaculado como o cordeiro”. As notas resumidas em Shakespeare abrangem isto.
“Madness is undefinable”: “A loucura é indefinível”. 2).
Duas peças de onde o pensamento poderia ter surgido estão no volume onde estava escrito abaixo: “Lear” e “Hamlet”. Qual dos modos de loucura em “Lear” – do Rei, do Louco – é definível? Mas não precisamos nos demorar em suposições sobre o que Melville extraiu da loucura de “Hamlet” ou de “Lear”: “Moby Dick” inclui ambos Ahab e Pip. Melville submete sua análise da mania de Ahab para distâncias inacreditáveis, somente ele mesmo para admitir que “o mais vasto, mais tenebroso, mais profundo, de Ahab permanece indecifrável”. Pip é uma idiotice mais sondável: “seus companheiros de bordo chamam-no louco”. Melville desafia a descrição, recusa deixar a loucura de Pip na sombra e na incompreensão, declara: “Assim, a insanidade do homem, é consciência no Céu”.