Leibniz

Catherine CLÉMENT. UNIVERSALIS.

Na história da filosofia, Leibniz ocupa uma posição singular na intersecção entre o mais antigo e o mais moderno, reunindo filiação escolástica e preocupação teológica constante com uma antecipação do estruturalismo contemporâneo e uma vocação pluridisciplinar sem equivalente.

A variedade da obra leibniziana é praticamente indescritível, materializada em duzentas mil páginas de manuscritos conservados na biblioteca de Hanover, consagradas em grande parte a trabalhos de erudição pelos quais Leibniz não é o mais celebrado.

O sistema de Leibniz exige um discurso iterativo que retorne sobre si mesmo para dar retrospectivamente a razão de uma razão que se apresentava como fato — e cujo centro de perspectiva toma a forma de um labirinto circular.

A figura de Arlequim — múltiplo, astuto e viajante — constitui o emblema leibniziano por excelência, imagem do desdobramento infinito de razões sob cada fato novo.