REFLEXÃO SOBRE O POSSÍVEL, EM LAVELLE

FG1965

Em Sartre, é simples: a dialética é a de dominante a dominado, de mestre a escravo. Oscilação entre um “eu” que considera o outro como objeto, e um eu que, por sua vez, sabendo que o outro também pode dizer “eu”, sente que se encontra rebaixado à categoria de objeto, ou de instrumento à disposição. Penetrante análise do que se “pratica” de fato, na existência de muitos: o outro utilizado, enquanto apraz ao eu servir-se dele, depois rejeitado como um despojo ou um farrapo, no momento mesmo em que esse farrapo humano o encara por sua vez com um olhar que o relega à categoria de objeto.

Outra interpretação, a de Lavelle: a relação entre humanos (entre mim e ti) deve ser — dado o que é “cada um” — de uma dialética onde se estabelece entre os sujeitos a comunicação iniciada primeiro no nível dos objetos — para ir “finalmente” ao nível do “ser”. Assim, quem não ama “metafisicamente” não ama realmente. Essa maneira de amar — por superação na linha da “razão” — ele porque é ele, ela porque é ela, tem apenas uma relação distante com uma maneira de amar desarrazoadamente.