I O PENSAMENTO SE DISTINGUE DO SER APENAS POR SEU INACABAMENTO
Embora o ser envolva e ultrapasse em direito todo pensamento atual, o pensamento só pode considerar o ser como seu próprio acabamento ou sua própria perfeição — e não como um universo separado a ser conquistado por uma espécie de distensão ou renúncia — pois o objeto só dá ao pensamento uma satisfação plena quando se confunde com o puro exercício desse pensamento.
O ser parece dever ser considerado como o gênero e o pensamento como a espécie — mas só se pôde postular o gênero atribuindo-lhe já os caracteres da espécie, fazendo do ser um pensamento possível não atual.
O pensamento é sempre o ato de um sujeito finito, fragmentário e inacabado — mas recebe seu movimento de mais alto, mesmo quando tateie, e se aperfeiçoa no tempo.
Quando o conteúdo do real parece ter-se tornado de uma transparência absoluta, é porque esse conteúdo se evaporou — e só então não opõe mais nenhuma resistência ao espírito.
O pensamento se encontra a meio caminho entre um objeto ainda desconhecido, do qual destaca por análise uma série de aspectos, e um objeto perfeitamente conhecido, que é o termo de seu esforço.
O distanciamento entre pensamento e ser é o distanciamento entre um pensamento inacabado e um pensamento acabado — entre um pensamento que se busca e um pensamento que se encontra.
Entre a ideia e o real há ao mesmo tempo homogeneidade, distinção e ligação — pois o pensamento deve participar do ser, e o ser ao qual o pensamento se aplica só pode ser pensado como um pensamento sem limitação.
A distinção é a condição sem a qual um pensamento individual, limitado e imperfeito, mas capaz de progresso — ou seja, uma consciência — não poderia se constituir.
A ligação é a lei segundo a qual, no seio de um pensamento total, se insere um pensamento particular que dele recebe sua origem e sua essência — mas que se move no tempo e deve romper a unidade do todo para depois buscar uni-los empiricamente.
Esse circuito admirável, sempre recomeçado e sempre incapaz de se fechar, constitui a vida comovente de todos os espíritos finitos.
II O PENSAMENTO DO SER JÁ PORTA EM SI O PRÓPRIO SER QUE PENSA
No momento em que o pensamento se distingue do ser para revelá-lo, é preciso considerá-lo como possuindo o ser ele mesmo — ou seja, como sendo primeiramente uma determinação do ser — e é por esse traço que o pensamento do ser acusa sua potência e sua fecundidade.
O pensamento do ser, sendo ele mesmo um ser, goza em relação a seu objeto de uma competência e de um privilégio que a ideia de homem jamais possuirá nem mesmo em relação ao homem.
Todas as filosofias buscam primeiro um termo primitivo que dê fundamento sólido às operações do pensamento — e esse termo é o círculo vivo no qual o pensamento se encerra desde sua origem.
Esse círculo pode ser enunciado assim: o pensamento do ser é adequado porque é recíproco do ser — pois é necessário inscrever no mesmo ser sua operação e seu objeto.
Desde Descartes insiste-se no interesse da descoberta do pensamento por si mesmo — mas o verdadeiro alcance dessa descoberta não é dar ao ser próprio um caráter puramente subjetivo, e sim abrir-lhe um lugar, graças à forma subjetiva, no interior do ser absoluto.
É uma das ilusões mais curiosas da inteligência crer que, ao encontrar o pensamento, seria preciso um novo esforço para que ele alcançasse o ser por uma espécie de salto mortal fora de suas próprias fronteiras.
O pensamento não pode se pôr sem pôr seu ser — ou seja, sem pôr o ser indivisível que ele determina.
A maioria dos homens considera uma existência de pensamento como não sendo uma existência — e busca o verdadeiro modelo da existência na limitação que o pensamento recebe ao se chocar com os dados da sensibilidade.
O caráter distintivo de um espírito filosófico é ser capaz de considerar as ideias como tendo uma existência no entendimento que, embora ligada à existência que os objetos possuem na sensibilidade, não lhe é inferior em dignidade.
Platão queria que os objetos fossem como sombras e as ideias como seus corpos — evocando assim a supremacia da ideia sobre todos os objetos que ela busca apreender e modificar.
A ideia do ser é a única que é necessariamente adequada a seu objeto — pois é contraditório que ela possa ultrapassar o ser ou ser ultrapassada por ele: ela é ao mesmo tempo continente e conteúdo, e de todas as ideias a única que é simultaneamente uma intuição.
Dizer que a ideia do ser é um ser produz entre a representação e o objeto uma superposição exata — impossível de ser realizada pela ideia do azul, que não é azul, ou pela ideia da árvore, que não é uma árvore.
O ser de um pensamento deve se identificar com o ser sobre o qual o pensamento versa — pois onde quer que se encontre o ser, ele é encontrado inteiramente, sendo sua noção simples e indecomponível.
III A IDEIA DO SER CONTÉM TODAS AS IDEIAS PARTICULARES
Se o ser fosse uma ideia particular, seria preciso defini-lo limitando sua ideia por oposição a alguma outra — mas essa empresa se choca com dificuldades insuperáveis, pois a ideia do ser se empobrece progressivamente ao ser separada de todas as outras ideias, até se volatilizar e desaparecer.
Todos os caracteres que se tentassem atribuir ao ser isolado seriam objeto de alguma outra ideia particular — tornando a ideia do ser a mais deficiente de todas e a mais próxima do nada.
Ao opor o nada ao ser, confere-se ao nada alguma realidade como objeto de pensamento — tornando-o o ato positivo pelo qual a ideia do ser é negada.
Entre o ser e o nada introduzem-se termos intermediários que expressam a riqueza do mundo — mas são artifícios da lógica pura que dão a ilusão de reconstruir o mundo no abstrato.
É necessário distinguir tantas formas do ser quantos são os termos aos quais o pensamento se aplica — inclusive o nada, que, ao ser nomeado, se torna uma ideia atual e não pode ser posto fora do ser.
Todos os termos distinguidos do ser são aspectos seus — e o ser que os contém todos é o único que não é nem separado nem abstrato.
A ideia do ser não é um termo especificado — cada termo é uma especificação do ser total.
A ideia do ser pode ser considerada a mais geral e a mais rica de todas as ideias — pois precede tanto a divisão do mundo em indivíduos independentes quanto sua divisão em ideias distintas, sendo a fonte comum de ambos os tipos de divisão.
Pode-se defini-la como uma ideia perfeita — a única capaz de reencontrar o concreto — e como um indivíduo perfeito — o único capaz de gozar de uma independência absoluta.
A ideia do ser puro é a ideia de uma atividade cuja operação, não recebendo nenhuma limitação, não se opõe a nenhuma outra e contém em sua unidade a eficácia de todas com a lei mesma de sua oposição.
Dizer que essa ideia é minha é dizer que meu pensamento se individualiza por sua ligação com um corpo privilegiado que lhe fornece o centro original de sua perspectiva e sua tonalidade afetiva.
IV O SER É A TOTALIDADE DO POSSÍVEL
O ser deve ser definido não como o que é conhecido, mas como tudo o que pode sê-lo — ou como o objeto absoluto de um pensamento adequado que, confundindo-se com seu objeto, é o Pensamento perfeito.
O absoluto é anterior ao pensamento individual, mas o funda — e é por isso que o pensamento individual é relativo.
A perfeição é o termo ao qual o pensamento individual tende através de uma série infinita de operações que só poderia concluir desaparecendo ele mesmo — permanecendo imperfeito enquanto guarda uma existência separada.
O que choca os empiristas em Platão e em Spinoza é que esses dois filósofos apoiaram o fenômeno em uma realidade mais estável, mais rica e mais fecunda — que ultrapassa todos os fenômenos pela surabundância das possibilidades de que cada fenômeno expressa uma manifestação particular e isolada.
O possível está ligado ao ser mais intimamente do que se pensa — sendo um ser de pensamento, ou seja, um ser do qual o pensamento começa apenas a tomar posse.
O possível não é apenas um ato de pensamento indeterminado que seria esquecido ao atingir o real — o ato inicial permanece presente em todos os atos ulteriores que o desenvolvem.
No momento em que o pensamento apreende um objeto, a operação de apreensão, enquanto se distingue do objeto, constitui precisamente a possibilidade desse objeto.
O possível se revela pela atividade do pensamento considerada ao mesmo tempo em seu movimento primitivo e na multiplicidade indefinida de suas operações — confundindo-se com a existência de um pensamento total.
A distinção entre o ser e o possível é abolida — pois pôr o ser é pôr todo o possível.
Os possíveis particulares são sempre tomados de empréstimo ao ser — obtidos por subtração de certas de suas determinações.
Os possíveis particulares são distinguidos para permitir ao indivíduo participar do ser pelo duplo jogo de sua inteligência e de sua vontade — e todos os possíveis reunidos não se distinguem mais do próprio ser.
O caráter mais profundo do ser é precisamente a possibilidade viva pela qual ele não cessa de se realizar.
V O SER DE UMA COISA É IDÊNTICO À REUNIÃO DE TODOS OS SEUS ATRIBUTOS
O ser não é um esquema abstrato ao qual se acrescentam qualidades para lhe dar valor concreto — pois não se pode falar da existência de uma coisa sem admitir ao mesmo tempo a presença em ela da totalidade de suas determinações.
Supor que a existência é um simples esquema conceitual seria admitir contraditoriamente que se pode pôr uma existência pura que não seria a existência de nada.
A existência expressa a plenitude perfeita de cada noção — pois somente quando um ato intelectual está inteiramente determinado e nada nele é abstrato ele coincide com a realidade.
A perfeição de um conhecimento retira-lhe o caráter subjetivo e o desvencilha das balizas em que o encerra a perspectiva de cada consciência — permitindo confundi-lo com o próprio ser.
A noção de consciência implica sempre uma limitação do ser pensante — sem a qual representação e objeto representado seriam indiscerníveis.
O ser é a mais rica de todas as noções — pois só se pode empregar esse termo legitimamente quando o conhecimento não encontra mais nada a acrescentar à imagem que faz do real.
A noção de acabamento permanece a mesma qualquer que seja o objeto — pois no interior de todo objeto há uma riqueza inesgotável de atributos, e cada objeto está de fato ligado a todos os outros, de modo que os diferentes objetos contêm em si o mesmo todo.
Os diferentes objetos se distinguem apenas pela perspectiva original que cada um abre sobre o todo.
Apreender o ser de uma coisa é apreender sua perfeição própria — que não difere da perfeição do todo do qual ela faz parte.
A existência, que aparece como a mais estreita das noções, expressa ao mesmo tempo o último ponto que pode atingir o enriquecimento de uma noção qualquer ao cessar de ser abstrata.
A existência é idêntica ao ato infinitamente fecundo com o qual se identificava antes que a análise colocasse ao alcance a diversidade dos aspectos do mundo.
VI O PENSAMENTO TOTAL E A TOTALIDADE DO SER SÃO INDISCERNÍVEIS
O pensamento do ser se confunde com o próprio ser — e o argumento fundamental que prova que a noção de existência é rigorosamente adequada a seu objeto é o que se extrai da existência necessária do próprio pensamento no momento em que ele tenta assegurar a existência de seu objeto.
No ato pelo qual o pensamento tenta pôr a existência de um objeto independente dele, não pode deixar de pôr sua própria existência.
A originalidade e o valor do pensamento do ser eclodem ao se perceber que esse pensamento possui inevitavelmente o ser ele mesmo.
O pensamento do ser não se distingue do pensamento universal no interior do qual todos os pensamentos particulares estão contidos.
Não basta afirmar que, por trás da distinção de fato entre pensamento e objeto, uma identidade de direito deve ser presumida — é preciso ainda reconhecer que o pensamento contém em si todo o pensável da mesma maneira que o ser contém em si tudo o que é.
Não é a extrema abstração que faz coincidir o ser e o pensamento — é o ato universal do pensamento que funda todo pensamento concreto, assim como é a participação no ser universal que dá acesso ao mundo a todos os indivíduos particulares.
Se nada é estranho ao ser e o pensamento é ele mesmo um ser, e se nada é estranho ao pensamento e o ser é ele mesmo objeto de pensamento, pensamento e ser devem necessariamente se confundir no princípio comum que funda a realidade original de cada um dos dois termos.
A identidade entre a totalidade do pensável e a totalidade do ser explica por que os caracteres mais íntimos da existência podem tornar-se acessíveis no próprio pensamento sem que a existência se torne subjetiva.
A ideia do ser, que contém ao mesmo tempo todas as ideias e todos os objetos, não deixa subsistir nenhuma distinção entre ela mesma e seu próprio objeto.
O pensamento que busca o ser possui em si primitivamente o mesmo ser que busca.
Entre o pensamento pensante e o pensamento pensado há uma distinção de razão — mas nenhuma distinção real.
O ser está demasiado próximo do pensamento — pois o pensamento ainda faz parte do ser no momento mesmo em que dele se distingue para envolvê-lo — e é por isso que parece não percebê-lo.
O conhecimento é um esforço para possuir o ser e, ao atingir seu objeto, deve vir novamente se confundir com ele — morrendo do excesso mesmo de sua perfeição.
VII O SER É UM ATO ONIPRESENTE E NÃO UMA SOMA
O ser não pode ser atingido por operações de totalização — nem pela assemblagem de objetos finitos nem pela assemblagem de caracteres particulares — e essa impossibilidade, junto à necessidade de pô-lo, prova precisamente que sua noção é primitiva e que a descoberta de seus diferentes aspectos é um efeito da análise.
Não há várias maneiras de entrar no ser — e a identidade da noção de ser se explica se a existência de cada termo aparece como uma delimitação do mesmo todo.
Não há diferença de natureza entre o todo do universo, que chama à existência todos os indivíduos que o realizam, e o todo do indivíduo, que não apenas se inscreve no todo do universo, mas o expressa à sua maneira.
Cada ponto do universo material é um nó de relações que o reúne a todos os outros — e nenhum pensamento particular se basta, implicando todos os outros.
O todo não é uma coletividade — é necessariamente dado em cada ponto em sua integralidade como uma verdade única e plena, da qual todas as determinações particulares expressam a riqueza sem jamais a esgotar.
Se a síntese pela qual se busca reconstruir o todo viesse a se concluir, atingiria um ponto último onde se desataria em um ato único de pensamento capaz de dar existência perfeita e indivisível ao universo inteiro.
Os espíritos mais fortes são os que apreende o ser em sua simplicidade mais do que em sua variedade — buscando não um conhecimento em largura, mas um conhecimento em profundidade.
O conhecimento em profundidade se obtém banindo toda vã curiosidade e permanecendo em uma espécie de atividade imóvel que permite, sob cada aspecto do real, atingir a origem concreta e a raiz comum de toda diversidade.
Quando um contato sempre idêntico e sempre novo é realizado entre a consciência e a unidade da presença universal, a contemplação das formas múltiplas da existência dá uma alegria plena de segurança.
Quem espera atingir o ser recuando indefinidamente os limites de seu horizonte se envolve em uma série indefinida de aparências que o decepciona e o torna escravo.
Cada um encontra o ser em cada ponto se consente em exercer um ato com o qual lhe cabe se identificar — e que o torna indiferente aos estados, embora cada estado receba desse ato todo o seu valor.
VIII A PRESENÇA FUNDA TODAS AS DIFERENÇAS EM VEZ DE AS CONTER
Definir o ser pela pura presença expõe ao risco de parecer recusar-lhe toda determinação particular — mas toda determinação é abstrata e só se realiza inscrevendo-se, no meio de todas as outras, no interior de uma presença idêntica, de modo que esvaziar a noção de presença de todo conteúdo é, ao contrário, fazê-la a presença de tudo.
O todo não pode ser distinguido da própria presença como dela podem ser distinguidos os termos particulares — o todo é a presença toda pura.
Basta que a presença seja dada para que o ser seja dado inteiramente — na simplicidade perfeita de sua posição como na riqueza infinita de suas determinações possíveis.
A presença deve dar a ilusão de não ser a princípio a presença de nada — a fim de poder tornar-se a presença de tudo quando as operações particulares do conhecimento começarem a se exercer.
A presença é mantida vazia para não confundir o ser com uma coisa — mas para poder explicar como todas as coisas se tornam efetivamente coisas.
A existência não é vista diretamente — apenas seus aspectos são visíveis — pois o ser é o caráter idêntico que faz que existam objetos, e só o aspecto variado desse ato é perceptível para seres limitados que nunca coincidem com ele.
O todo é anterior à distinção entre sujeito e objeto — mas os compreende em si, permitindo-lhes nascer ao opô-los e acordá-los.
O todo deve ser considerado vazio de todos os caracteres particulares — para que os indivíduos, ao discerni-los, possam constituir nele sua própria natureza.
O todo é a raiz de onde jorram todas as qualidades como um feixe infinito — no interior do qual cada ser finito assegura seu próprio desenvolvimento ao isolar certas delas com as quais se identifica.
IX O SER PURO, QUE É TUDO, NÃO É NADA DE PARTICULAR
A noção do todo não pode ser formada por acumulação de elementos finitos nem é um infinito que ultrapassa e escapa — é o fundamento e não a soma da multiplicidade de objetos que só se descobrem depois pela análise e que nunca se termina de enumerar.
O ser contém todas as diferenças e as abole todas.
A teologia positiva obriga a afirmar de Deus todos os caracteres observados nas formas particulares do ser — e a teologia negativa obriga a negá-los todos, pois tudo o que há de finito nas formas particulares deve ser excluído da natureza divina.
A ideia de Deus pode ser considerada, em relação ao mundo, ora como uma totalidade infinitamente preenchida, ora como uma vacuidade infinitamente fecunda.
A antinomia do ser e do nada encontra aqui sua solução — pois a única afirmação metafísica talvez impossível de contestar é a de Parmênides: que o ser é e que o nada não é.
Todo juízo negativo é um juízo positivo dissimulado — dizer que A não é significa que há ali um termo que não tem as propriedades que se lhe atribuía, mas que tem outras.
Se é verdade dizer do todo que ele não tem nenhum dos caracteres atribuíveis aos objetos particulares, não surpreende que nele as duas ideias de ser e de nada pareçam se identificar — pois é preciso negar de ele cada forma do ser para que possa igualmente dar o ser a todas.
O contraste entre as qualidades sensíveis pode ser visto como a ruptura de uma indiferença qualitativa que não é enriquecida, mas limitada, pelo aparecimento de cada qualidade particular.
O silêncio pode ser definido como uma espécie de síntese compensatória de todos os ruídos — cada ruído rompe o silêncio rompendo sua unidade, e a soma de todos os ruídos, a essência comum da qual são extraídos, ultrapassa infinitamente a capacidade do ouvido e é para ele indiscernível do silêncio.
Pode-se imaginar um estado de indiferença afetiva que não é negativo — sendo talvez a verdadeira condição da serenidade e da força — contendo em potência todos os prazeres e todas as dores, deixando-os filtrar separadamente apenas quando esse equilíbrio perfeito e frágil cessa de poder ser mantido.
Os místicos descrevem o êxtase como uma eliminação de todas as diferenças — que as compreende todas e é de certo modo sua fonte e seu confluente.