NOSSA PRÓPRIA PARTICIPAÇÃO NO SER

(…) os momentos de lazer durante o confinamento nos levaram a nos perguntar (…) o que poderia acontecer com o mundo das coisas e como poderiam surgir a qualidade e o conjunto dos dados sensíveis se o ser não fosse nada mais do que um ato que só se tornava nosso ser próprio por meio de um processo de participação. Foi assim que fomos levados a mostrar que os diferentes sensíveis limitam e completam as diferentes operações pelas quais se realiza nossa própria participação no ser, e que a visão goza, na representação do mundo, de um privilégio evidente, pois, embora me obrigue a perceber o objeto em sua relação comigo, ou seja, como fenômeno, ela o separa, no entanto, do eu, conferindo-lhe uma espécie de independência aparente, graças precisamente à profundidade. (Louis Lavelle, De l’être)