Mas esse não foi um simples processo de decadência; no fracasso do livro descobre-se, com dificuldade e não sem resistência, outra forma de escrita, a que ele nunca deixou de praticar e nunca deixaria: essa escrita incansável que não tanto precede o livro “em andamento”, pois o “livro”, embora
Nietzsche sem dúvida sempre o quisesse como organização rigorosa de fragmentos, acabará por se revelar apenas uma amostragem mais ou menos arbitrária, e em todo caso escapará a essa intenção, quanto segue todos os livros dos quais é uma leitura, uma cópia e uma interpretação, e cuja descontinuidade empírica, apesar de todos os esforços de
Nietzsche para justificar o aforismo, mal disfarça sua circulação infinita, seu curso ininterrupto.