2.4 O estatuto do parceiro

Para uma leitura filosófica do Yi King, Le Livre de Poche, 1993 (trad. em português publicada pela Editora 34)

O estatuto do parceiro: a aptidão a se conformar

1. Uma iniciativa só tem peso pelo que arrasta em sua sequência, e uma influência só tem alcance à proporção daquilo sobre que se exerce e se espalha: a capacidade de expansão e de desdobramento da energia yang só se pode compreender em relação com a capacidade inversa, de condensação e de materialização, da energia yin, que ela atravessa de ponta a ponta e anima.

2. Ao mesmo tempo, essa lógica correlativa, tão coerente, prestou o mais forte apoio à visão hierárquica dos chineses, servindo-lhe de justificação ideológica.

3. De que essas duas capacidades opostas são correlativas e se exercem a par encontramos a prova no fato de que as aptidões de começo e de surto são atribuídas à energia yin como à energia yang, à Terra como ao Céu.

4. Mas a capacidade de atualização própria do yin, que, associada ao yang que a orienta atravessando-a, chega a essa fecundidade sem fim do real, se tornaria negativa em contrapartida se se encontrasse abandonada a si mesma.

5. A sequência do texto canónico desenvolve essa relação de subordinação num plano temporal segundo o itinerário do homem de bem: primeiro ele se extravia, depois encontra um mestre, de onde proveito.

6. Vê-se, portanto, em que termos se põe, na China, a escolha moral: o mal não está inscrito a título de princípio diabólico em nós, pois o yin tem por vocação cooperar com o yang, no quadro de nossa conduta assim como para o engendramento do real.

7. A sequência da fórmula canónica põe bem em evidência o perigo de uma tal densificação: no Sudoeste se encontram associados, no Nordeste se os perde, e o texto canónico comenta que finalmente é a festa.

8. Que essa diferença hierárquica entre as duas capacidades, uma das quais deve guiar a outra, não nos faça perder de vista, no entanto, sua necessária correlação.