2.2 Iniciativa e criatividade

Para uma leitura filosófica do Yi King, Le Livre de Poche, 1993 (trad. em português publicada pela Editora 34)

1. Assim as quatro palavras com que começa o texto do Clássico da mudança a propósito do primeiro hexagrama, Qian, composto dos seis traços yang, devem todas ser entendidas do ponto de vista da capacidade: denotam, formando série, os diversos aspectos da aptidão de constante iniciativa que é própria do Céu e permite a este progredir sempre, em seu curso, sem nunca desviar nem se cansar.

2. Há algo de particularmente profundo, parece-me, nessa assimilação de nosso sentimento moral à faculdade de começar.

3. O segundo termo dessa enumeração, heng, deve ser compreendido no prolongamento direto do precedente e significa o surto e o desdobramento.

4. Os dois últimos termos dessa formulação de base corroboram-se um ao outro ao mesmo tempo que explicitam o alcance dos dois primeiros, pois essas quatro noções, diz-nos WFZ, remetem todas a uma mesma lógica.

5. O principal esforço de demonstração que a partir daí fornece WFZ é o de provar que proveito e integridade vão a par e que essas duas noções se implicam mutuamente.

6. Assim o comentário canónico dá conta das duas noções de proveito e de integridade de modo conjunto, por essa evocação de conjunto: vasta clareza, do fim ao início, as seis posições advêm cada uma em seu tempo, e em todo tempo cavalgar os seis dragões para dirigir o céu.

7. Assim a moralidade não é senão o reflexo, no plano humano, do que constitui a lógica de advir da realidade.