1.5 Uso

Para uma leitura filosófica do Yi King, Le Livre de Poche, 1993 (trad. em português publicada pela Editora 34)

V — Do bom uso do Clássico

1. Uma mesma preocupação rege com efeito todo o manuseio do livro, em função dessa alternativa: a da adequação ou da inadequação, que se manifesta a propósito de cada um dos traços em relação ao mesmo tempo ao momento em que este aparece e à posição que ocupa.

2. Surge assim uma diferença essencial que não poderíamos esquivar, pois que seja um rapport d'adéquation que busquemos aqui, em vista de estabelecer nossa conduta em harmonia com o curso do mundo, e não uma verdade, cria um desvio radical, de uma cultura a outra, não tanto das representações ou dos procedimentos, mas de sua motivação, do qual me parece importante tomar a medida.

3. Pois com que esse clássico da mudança nos põe em adequação?

4. Mas esse uso, que é essencialmente moral, pode ser pervertido, e WFZ denuncia com veemência todos aqueles que recorrem ao Clássico com um objetivo interessado, isto é, que tentam espionar o grande jogo do yin e do yang, tal como nele se manifesta, em vista de atingir seus fins egoístas.

5. Será fácil estabelecer, sobre essas bases, a responsabilidade do homem, pois se a via do homem está misturada, em seu fundamento, à realidade do mundo, Céu e Terra, diz-nos WFZ, o uso que se faz do yin e do yang repousa sobre o homem, quer no bom quer no mau sentido, e por isso o que é nefasto provém sempre de uma falta do homem, assim como o que é fasto de um êxito de sua parte, perda ou obtenção.