1.4 Estrutura do hexagrama

Para uma leitura filosófica do Yi King, Le Livre de Poche, 1993 (trad. em português publicada pela Editora 34)

1. Essa leitura só é possível em função de certos códigos que remetem eles mesmos à estrutura hermenêutica do hexagrama.

2. Haverá, portanto, que justificar, para começar, esse caráter plurívoco da estrutura do hexagrama.

3. As posições que constituem o hexagrama reproduzem além disso a mesma relação equilibrada do par e do ímpar que consideramos anteriormente: os lugares um, três e cinco, que são ímpares, são portanto lugares yang, e os lugares dois, quatro e seis, que são pares, são portanto lugares yin.

4. O hexagrama consegue assim ser ao mesmo tempo estável e em evolução.

5. Justifica-se agora a coexistência dos dois centros fundada na imparidade: enquanto um único centro tenderia a imobilizar o processo, o fato de haver dois centros basta para criar as condições de uma variação por alternância que só ela torna possível a continuidade da mudança.

6. Resulta daí um princípio fundamental sobre o qual WFZ não cessará de voltar: todas as fases, no seio do processo do real, são justificadas, e igualmente todas as posições ocupadas pelos diversos traços do hexagrama são fundadas.

7. De que todas as posições do hexagrama participem da mesma lógica de conjunto encontramos a prova na continuidade que liga o juízo, que versa sobre a totalidade da figura, e o comentário de seus diversos traços.

8. Esse princípio de uma homogeneidade da figura deverá nos esclarecer em sua leitura.

9. Sendo a figura unitária e fornecendo-nos as primeira e última posições do hexagrama os dois extremos da evolução, poderíamos desde então nos perguntar para que servem as quatro posições intermediárias.

10. O Grande comentário nos orienta ainda mais precisamente na interpretação dessas posições medianas, avaliando-as umas em relação às outras.

11. Ocupamo-nos até aqui apenas das relações respetivas das seis posições do hexagrama.

12. Não esqueçamos enfim que, como representação de uma certa fase dos processos, um hexagrama não pode ser considerado isoladamente, mas se compreende em relação às transformações que o ligam aos outros.

13. São outros tantos princípios que, colaborando entre si, nos guiarão na leitura dos hexagramas, mas não podem, por isso mesmo, ser considerados regras fixas.