A reputação, entendida como um saber refratado na opinião alheia, não cria o saber, mas o duplica com um saber segundo que doura o primeiro, marcando a distinção entre o platonismo, que rejeita os perfumes do baixo agrado e opõe a verdade austera à lisonja, e o gracianismo, que reabilita as rotinas desacreditadas da lisonja (
kolakeia), da cosmética, da retórica e da sofística, nas quais o
Gorgias via apenas os precursores do hedonismo. Sob a égide de Gracian, organiza-se uma técnica da complacência e uma academia de lisonja no caminho aveludado do estratagema, onde a corrupção da criatura obriga a levar em conta a zona passional e conjectural da existência, engajando-se no jogo intramundano mais profundamente que
Pascal, assemelhando-se a Cícero e ao cortesão de Balthazar Castiglione, cujo personagem plausível se adapta perfeitamente ao regime da opinião (
doxa) e da aparência. Este homem moderníssimo, com a boca cheia de açúcar para confitar palavras, abandona a anagogia sublime de Platão pelos caminhos insidiosos de uma demagogia por doçura e suavidade, onde a complacência se soma à austeridade como a aparência trivial se soma à verdade celestial, estabelecendo que a circunferência é tão central quanto o centro e a circunstância tão essencial quanto a substância, tomando a sério as irisações e nuances que a filosofia clássica renegara.