Gusdorf

Georges Gusdorf (1912–2000)

Filósofo, historiador das ideias, epistemólogo e professor emérito da Universidade de Estrasburgo, Georges Gusdorf é uma das figuras mais eruditas, prolíficas e singulares da filosofia francesa do século XX. Formado pela École Normale Supérieure da rue d'Ulm — onde foi discípulo de Léon Brunschvicg e Gaston Bachelard —, teve sua trajetória biográfica e intelectual marcada de modo indelével pela experiência de cinco anos de cativeiro na Alemanha como oficial prisioneiro de guerra durante a Segunda Guerra Mundial (nos Oflags de Munster e Lübeck), período em que lecionou para outros prisioneiros e redigiu a sua célebre tese de doutoramento sobre a descoberta de si mesmo. Após a libertação, assumiu a cátedra de Filosofia Geral e História das Ideias na Universidade de Estrasburgo, onde lecionou de 1952 até sua aposentadoria em 1977. Distanciando-se tanto do hegelianismo professoral quanto das modas do estruturalismo e do pós-estruturalismo parisienses, Gusdorf fundou a sua reflexão em uma antropologia filosófica e fenomenológica de matriz existencialista e personalista. A sua obra notabilizou-se pela fundação teórica pioneira dos estudos modernos sobre a autobiografia e a memória do si, pela investigação do mito e da linguagem, pelo seu tratado sistemático de refundação da metafísica e, sobretudo, pela composição hercúlea de Os Fundamentos do Saber Humano (Les sciences humaines et la pensée occidentale), precedida pelo ensaio programático de introdução às ciências humanas, enciclopédia histórico-epistemológica monumental em catorze volumes que reconstruiu a gênese cultural e intelectual das ciências do homem desde a Renascença até a modernidade.

1. Obras Monográficas e Tratados Teóricos Fundamentais (Edições Originais)

2. O Ensaio Clássico sobre a Autobiografia e Textos Críticos Fundamentais

3. Contexto Institucional, o Cativeiro de Guerra e a Cátedra de Estrasburgo

4. Recepção Acadêmica e Eixos de Circulação

5. Eixos Metodológicos e Arquitetura Teórica