PROGRESSO DA CONSCIÊNCIA MÉDICA EM DIREÇÃO À CIÊNCIA DO HOMEM

Tudo cede à grande arte de curar…

A admiração pela medicina no século XVIII é expressa por Lamettrie em 1747, destacando o poder quase mágico do médico sobre a alma e a vida.

O século XVIII consagra o advento de uma medicina científica…

O século XVIII marca o advento de uma medicina científica baseada na união entre médicos e filósofos para um conhecimento positivo da natureza humana.

O exemplo de Locke

O exemplo de John Locke demonstra a conjunção entre uma história natural do espírito humano e a antropologia médica, visando um conhecimento positivo do ser humano.

As duas escolas antigas: Cos e Cnido…

As tradições médicas de Cos e Cnido, com suas ênfases no equilíbrio interno ou na causalidade externa, servem como pontos de referência duradouros para a explicação da saúde e da doença.

A Renascença e o panvitalismo de Paracelso…

A Renascença, rompendo com o galenismo escolástico, representa a idade de ouro do humorismo ligado a uma filosofia da natureza e a uma magia natural.

O mecanicismo e Sydenham, o Hipócrates inglês…

A afirmação mecanicista no século XVII, com a obra de Harvey, impõe o modelo epistemológico da máquina, ao qual Sydenham opõe um espírito de observação clínica.

O avanço das técnicas de observação: microscópio e instrumentos de medida…

A partir do século XVII, a observação clínica beneficia-se de novos aparelhos de exame e medida, mas sua utilização eficaz depende de uma verdadeira mutação da mentalidade.

De Morgagni à método anátomo-clínico…

O italiano Morgagni (1682-1771), anatomista de Pádua, funda a interpretação anátomo-clínica da doença ao confrontar a evolução clínica com os processos orgânicos correspondentes via autópsia.

O auge e os excessos do mecanicismo: os iatromecânicos e o solidismo…

A concepção mecanicista do homem-máquina, inspirada pelo prestígio de Newton, leva a um solidismo que pretende explicar os fenômenos vitais pelas leis da mecânica, resultando em aberrações calculistas.

A reação animista e vitalista: da alma ao princípio vital…

O mecanicismo enfrenta forte oposição de uma tradição monista que insiste na unidade interna do ser vivo e na especificidade da existência biológica, irredutível ao modelo da máquina.

O vitalismo de Bordeu e de Barthez: a emergência do conceito de organismo…

Bordeu e Barthez, da escola de Montpellier, desenvolvem um vitalismo que afirma a especificidade dos fenômenos vitais e a existência de uma finalidade interna imanente, consagrando o conceito moderno de organismo.

A nova medicina como ciência do homem…

A medicina do século XVIII caminha para a maturidade preparando o terreno para uma medicina positiva, uma dimensão específica de inteligibilidade que fundará a antropologia médica moderna.