A mística serve-se do sinal da cruz em todos os domínios, inclusive no da psicologia e da fisiologia, pois os tipos que serviram à construção de toda a natureza reencontram-se igualmente na do homem, e a figura da cruz oferece uma fórmula clara e exata para considerar e exprimir as relações que formam o corpo humano.
No sinal da cruz ensinado pela Igreja, toca-se a testa ao nomear o Pai, o centro ao nomear o Filho, os dois ombros ao nomear o Espírito Santo, terminando com o toque no peito.
Esse ato se realiza primeiro na vontade antes de se exteriorizar, não sendo portanto fórmula puramente exterior: ao fazê-lo, o homem não assina apenas o corpo, mas também a alma.
Ao tocar a testa, marca-se com o sinal do Pai a cabeça com todos os seus órgãos, representando o céu neste pequeno mundo do corpo humano; ao tocar o centro, marca-se com o sinal do Filho o coração e seu sistema, representando a terra; ao tocar os ombros, marca-se com o sinal do Espírito Santo todo o sistema muscular dos movimentos voluntários, representando o ar entre o céu e a terra.
As três regiões espirituais da alma refletem-se nas três regiões orgânicas: a parte mais elevada da alma, com seu órgão na cabeça, é marcada com o sinal do Pai; a parte inferior, mais próxima da carne, com o sinal do Filho; a parte intermediária, que percebe as imagens dos objetos exteriores, com o sinal do Espírito Santo.