A fenomenologia, tomada estritamente em seus termos, deveria constituir-se como ciência dos fenômenos, porém tanto o conceito de fenômeno quanto o de logos apresentam uma polissemia estrutural que multiplica as interpretações possíveis e compromete a univocidade do termo.
O uso corrente da expressão “fenomenologia” entre os filósofos modernos tende a simplificar indevidamente seu conteúdo conceitual, obscurecendo a complexidade histórica e sistemática implicada em sua formação.
O fenômeno é inicialmente definido como a aparição de um objeto empírico, entendida como manifestação de uma essência, embora tal essência possa permanecer dissimulada no próprio ato de aparecer.
A fenomenologia surge, nesse sentido, como tentativa de resolver a tensão entre aparência e essência, recusando tanto o empirismo bruto quanto o intelectualismo abstrato.