Gramática

DESCOMBES, Vincent. Grammaire d’objets en tous genres. Paris: Editions de Minuit, 1983.

Tópicos do Prefácio

1. A expressão “gramática do objeto” deve ser entendida literalmente, como gramática porque trata da construção das frases em que se significam objetos, seja um objeto determinado, seja qualquer objeto ou o objeto enquanto tal, e como gramática do objeto porque visa o objeto tomado como tal, e não o modo como as línguas constroem o complemento de objeto, constituindo, portanto, uma gramática filosófica do objeto.

2. Despertar o interesse pela formulação de questões gramaticais em filosofia exige vencer os fortes preconceitos franceses contra esse modo de filosofar, cujo desdém pela antiga logística e pela atual filosofia analítica serve sobretudo para proteger contra os próprios textos da tradição reivindicada, pois quem julga a análise das proposições elementar demais salta páginas do Teeteto, do Sofista e todo o Da interpretação, restando-lhe apenas visões de mundo, observações morais e fins últimos, até que professores de filosofia anunciem o fim da filosofia com ressalvas que mais se assemelham a condolências do que a uma verdadeira correção.

3. O exame do conceito de objeto mostra concretamente, no detalhe da construção de certas frases, a incongruência de várias concepções clássicas do que é um objeto.

4. As ideias aqui em jogo não são variadas nem novas, sendo conhecidas, mas mantidas em quarentena por receio de seu efeito corrosivo sobre o ensino escolar de filosofia, já que o pensamento francês ainda não tirou todo o proveito da grande clarificação trazida aos problemas clássicos pela obra de Frege e de Wittgenstein, da qual depende, como mostraram Anscombe, Geach e Dummett, a orientação geral de toda a filosofia, conforme se dê precedência à questão epistemológica, “Como o sabe?”, e ao método de buscar a verdade nas ciências, ou à questão analítica, “Como o diz?”, e ao estudo do modo de composição das proposições.


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