Instituição que afirma com tenacidade as ideias antigas sobre a vida no além-túmulo, com raízes na religião ariana.
Primeira refeição (silicernium romano) reunindo a família após o funeral, com o defunto considerado participante ou anfitrião.
Tabus durante o banquete: evitar palavras ofensivas, elogiar o morto, comer em silêncio por precaução, não recolher migalhas caídas (pertencentes aos espíritos).
Repetição de banquetes em datas determinadas (ex: cena novemdialis romana, 3º, 7º e 40º dias na Grécia), com origens na pré-história indo-europeia.
Explicações físicas materiais: morte como processo gradual ligado aos estágios de decomposição (3º, 9º, 40º dias), exigindo auxílio ao defunto.
Explicações posteriores mais espirituais: alma permanecendo três dias junto ao corpo, iniciando então viagem perigosa até o 40º dia.
Cristianização e reinterpretação dessas datas, com a crença popular mantendo a ideia da visita da alma à casa familiar.
Banquetes em aniversários de nascimento e morte, e em dias festivos fixos (ex: Rosalia, Violaria).
Disposições testamentárias e fundações para assegurar perpetuidade desses banquetes, com construção de salas de jantar (triclinia) e cozinhas nos monumentos funerários.
Presença de assentos ou leitos reservados aos convivas, incluindo um lugar vazio para o defunto.
Visitas e permanência longa no hipogeu como companhia consoladora para o morto, ideia criticada por filósofos como Marco Aurélio.
Convicção de participação direta do espírito do morto na alegria e na embriaguez do banquete, confundindo-se com as orgias báquicas onde o vinho conferia imortalidade.
Universalidade e persistência teimosa dessas práticas no Império, continuando na era cristã apesar das condenações clericais (ex: Santo Agostinho).