É a intuição rousseauniana que se encontra no início do Contrato Social — “O homem nasceu livre, e está por toda parte acorrentado” —, revelando que a consciência de nossa contingência é a consciência da formação histórica de um mundo que nos acorrenta e que, segundo
Rousseau no Segundo Discurso, culmina em um estado de guerra; mas essa mesma consciência leva também ao insight paradoxal de que o mundo da não-liberdade poderia tornar-se outro — um mundo em que a liberdade seria realizada, o grande sonho romântico dos jovens filósofos e poetas ingleses e alemães do fim do século XVIII e início do XIX; e o fio sempre flexível que une crítica e emancipação, e que é capaz de produzir novas formas de opressão, é, como
Hegel percebeu mais poderavelmente que ninguém, a liberdade humana.