A problemática da felicidade impõe-se pela constatação de que os homens não são felizes, o que suscita a interrogação sobre se a condição humana estaria ontologicamente vetada à beatitude neste mundo, hipótese que
Montaigne rejeita peremptoriamente dada a sua convicção na bondade intrínseca da natureza, a qual não teria engendrado criaturas destinadas ao infortúnio; a presunção humana de se imaginar uma exceção desfavorecida na ordem natural é infundada, pois as possibilidades de felicidade são equitativamente distribuídas entre todas as criaturas, sejam aranhas, raposas ou homens, cada qual segundo a sua natureza específica, não havendo hierarquia que coloque o ser humano acima ou abaixo da lei universal que rege a existência sob o céu.