BOUGNOUX, Daniel. Sciences de l’information et de la communication. Textes essentiels. Paris: Larousse, 1993.
Essa primazia da relação pressupõe filosoficamente que deixemos de pensar em termos de solo ou substância e que não pressuponhamos mais os sujeitos, ou os termos, antes dessa relação que os molda e os faz emergir. Trata-se, em particular, de levar a sério a pragmática e de tirar rigorosamente todas as suas consequências. Em pragmática, convém entender etimologicamente a praxis, que diz respeito às relações de sujeito a sujeito e se opõe, em grego, à techne (ou mundo das relações sujeito-objeto). São nossas relações intersubjetivas ou pragmáticas que dão sentido ao mundo (as simples técnicas são neutras em termos de sentido); devemos, portanto, evitar tratar de forma instrumental ou técnica uma relação que é, por definição, reflexiva (ou especular, ou circular): o que faço a alguém, essa pessoa pode fazer a mim em troca, a relação é interativa e leva seus termos a uma lógica que transcende cada um.
A pragmática estuda a enunciação, ou seja, as condições psicológicas e sociais do envio de uma mensagem em geral, não apenas verbal. A distinção, fundadora ou prévia na pragmática, entre o conteúdo e a relação em toda comunicação, obriga a considerar, para examinar esta última, todo o registro dos signos, o que une intimamente em nossos estudos as abordagens pragmáticas e semiológicas.