BOUGNOUX, Daniel. Sciences de l’information et de la communication. Textes essentiels. Paris: Larousse, 1993.
Como já dissemos, os SIC (Sistemas de Informação e Comunicação) não constituem uma ciência, mas uma interdisciplinaridade em fase de constituição. Onde podemos estudar simultaneamente banda desenhada, história da fotografia, funcionamento de um computador, indexação de uma biblioteca, feedback de um sistema ecológico, linguagem dos surdos ou dos golfinhos, dinâmica de grupo, paginação ou a última campanha da Benetton? «Em comunicação. Mas o mapa dos nossos estudos não está definido, e ninguém o tem sob um único olhar. É de se esperar que seja ainda mais difícil abranger a “comunicação” do que a linguagem, cuja ciência é tardia e, como observa Wittgenstein, necessariamente lacunar, na medida em que a linguagem é ao mesmo tempo operadora e operada, ator e objeto de estudo, daí o inevitável emaranhado.
Sem dúvida, os SIC se beneficiarão dos avanços da linguística, ciência pioneira em nosso campo (como afirmou Lévi-Strauss em 1950 em um famoso texto). E é, portanto, da semiologia que partiremos. Mas elas se estendem muito além, a ponto de essa extensão lembrar a arrogância do sofista Górgias quando explica a Sócrates como sua técnica, a arte de persuadir, supera todos os outros conhecimentos que, sem ela, permaneceriam letra morta: o médico não deve tornar-se retórico para administrar sua poção? É de se temer que, à semelhança da antiga sofística, a comunicação hoje se arrogue um direito ilimitado sobre as outras ciências. Daí a urgência de recuar e limitar seu campo.
Nossos estudos trazem “uma lógica” (este é o título em francês da importante obra da escola de Palo Alto, Une logique de la communication), que pode servir de quadro e horizonte para nossas ciências humanas atuais. No campo das formas sociais ou simbólicas em geral. Saussure reservava esse papel de liderança para uma futura semiologia, que nossos SICs poderiam hoje desempenhar. Estas correspondem, de fato, a uma forte demanda social (e pedagógica), a uma virada em nossa cultura, bem como ao advento de novos modelos, que reagruparemos em alguns temas.