Berkeley

George Berkeley (1685-1753)

Geneviève BRYKMAN. UNIVERSALIS.

Berkeley foi essencialmente um apologista preocupado em deter a maré crescente do ceticismo induzido pelo progresso das ciências positivas — mas foi também um autêntico filósofo, cuja ambição paradoxal era definir, de modo ao mesmo tempo novo e tradicional, as relações entre Deus e os seres finitos.

O filósofo, o missionário e o médico

Nascido em Thomastown, perto de Kilkenny, em 12 de março de 1685, Berkeley pertencia pela linhagem paterna à pequena nobreza anglo-irlandesa recentemente instalada na Irlanda.

O “desvio” imaterialista

A leitura de Berkeley deve ser abordada esquecendo o comentário quase oficial que por muito tempo buscou reduzir dois espantos: o primeiro, a fascinação exercida pelo princípio “existir é ser percebido”, do qual os leitores concluíam a um idealismo solipsista radical; o segundo, a Siris, tão diferente das primeiras obras.

A análise dos Cadernos de notas e da Nova Teoria da visão mostra que, com os Princípios de 1710, Berkeley não forja suas primeiras armas contra o ceticismo.

Em 1733, a publicação de uma refutação dos Princípios por A. Baxter e a refutação da doutrina do sentido das palavras incluída na Alciphron por P. Browne marcam uma data decisiva.

O imaterialismo, por mais provisório que tenha sido, permanece o núcleo vivo de uma obra que nos interessa para além das intenções divergentes de Berkeley como filósofo e como educador.