Bergson

Henri Bergson (1859-1941) Livros

Camille PERNOT

O bergsonismo é uma filosofia atípica em todos os aspectos — opõe-se ao kantismo que dominava a universidade francesa, afasta-se da filosofia alemã e mantém relação polêmica com as filosofias antiga e moderna, rejeitando seus conceitos e denunciando seus artifícios.

1. A ideia verdadeira de filosofia

A filosofia se caracteriza antes de tudo pela precisão — a explicação que ela fornece deve ser, em cada caso, exatamente adaptada ao seu objeto e não convir a nenhum outro.

2. Pensar de outro modo

O processo da inteligência

A experiência pura só pode ser uma experiência depurada — Bergson chama atenção incessantemente para as confusões, os artifícios e as ilusões que comportam a experiência corrente e mesmo certos tipos de experiência tidos por científicos.

A intuição

A inteligência não é a única forma de pensamento — existem outras faculdades de conhecimento depositadas pela evolução: o instinto e a intuição.

O imediato

Para Bergson, não é a maneira como se apreende o imediato que o qualifica como tal — é unicamente por seus caracteres intrínsecos que um dado pode pretender à imediatidade.

O empirismo verdadeiro

O bergsonismo é um empirismo, mas que se distingue do empirismo vulgar e do empirismo filosófico tradicional — é um “empirismo verdadeiro”, radical e integral, que define a experiência pura pela percepção de um imediato e toma essa percepção pelo ser mesmo.

3. Um mobilismo universal e integral

Sob todos os seus aspectos, a existência é movimento ou, mais geralmente, mudança — tal é a intuição fundamental para a qual convergem todas as demais.

A duração

“Duração” é o nome dado por Bergson à percepção do tempo real, que ele opõe à noção comum do tempo e a seu conceito científico.

4. Um novo espiritualismo

O espírito, o eu, a liberdade

A duração é de essência psíquica — é a forma sob a qual a intuição percebe a vida interior; o espírito é duração e mesmo não é senão duração.

Metafísica da vida

O bergsonismo aprofundou-se de uma filosofia da consciência para se tornar principalmente uma filosofia da vida, renovando inteiramente a sua concepção.

O élan vital

É possível e indispensável representar a vida como um único e mesmo élan, carregado de virtualidades múltiplas, que se partilhou entre direções diferentes e é a causa profunda da criação de novas espécies.

Antropologia

O homem não é um ser à parte oriundo de uma origem sublime — como todos os outros viventes, é um produto da vida e de sua evolução, no plano moral e no físico.

Cosmologia e teologia

A matéria é um processo negativo — “ação que se desfaz”; a realidade positiva que a matéria não faz senão degradar é necessariamente um movimento em direção inversa ao seu: uma força imaterial, correspondente a “ação que se faz” e, portanto, criadora.