Bacon

Francis Bacon (1561-1626)

A filosofia de Francis Bacon representa uma das grandes rupturas com a escolástica — após Thomas More e Montaigne, que admira, e antes de Descartes, que o lerá e retomará várias de suas ideias, Bacon busca libertar o conhecimento humano da autoridade concedida a Aristóteles pelas universidades.

Bacon se afasta ao mesmo tempo do ceticismo — que podia ser uma maneira de rejeitar Aristóteles — e rompe com o entusiasmo renascentista pela imitação da retórica ciceroniana.

Não basta pôr o espírito em guarda contra si mesmo — é preciso também construir uma técnica de exploração da natureza que seja ao espírito o que a régua e o compasso são à mão.

Bacon concebeu a divisão do trabalho de pesquisa como uma distribuição de domínios — “partição das ciências” — e como diferenciação e coordenação de modos de trabalho (particularmente em A Nova Atlântida).

Essa caracterização do esforço científico permite a Bacon distingui-lo cuidadosamente da problemática da fé, das controvérsias religiosas e da autoridade das Escrituras.

O pensamento político de Bacon conheceu muito cedo uma renome internacional — desde 1619 há na França uma voga baconiana, que toca a marquesa de Rambouillet, Richelieu, Sully e Châteauneuf.