O regime severo dos sentidos prescrito por Pasqualis tem por único objetivo a pureza e a força dos sentidos, que lhes permite suportar a conduta das potências superiores sem o perigo de serem fulminados como para-raios demasiado fracos.
Antes de poder incitar a terra ao bem ou fazer ressurgir a bênção absorvida pela maldição, é preciso fazer partir a própria maldição; esta se ergue imediatamente como tentadora, como serpente rígida do Profeta ou como serpente ondulante de volúpias.
A lei fisiológica da faculdade compreensiva dos sentidos já fala em favor da necessidade de tal regime: aquele que fala num tom demasiado alto ou baixo para meu ouvido não se fará ouvir enquanto não se puser no diapasão de minha audição.
A diminuição dos milagres na época atual explica-se porque com o progresso das eras a ação do espírito avança na mesma proporção, tornando-se mais forte e intensa mas menos perceptível, como uma voz que sobe de tom e, na mesma proporção, se distancia, enquanto o ouvido que tudo ouve perde de sua força.
O contato sensível com os mortos é possível logo após sua morte, mas se perde quando eles se elevam a regiões superiores ou caem mais baixo; disso não se segue que estejamos mais afastados deles interiormente, pois é somente pela inhabitação perfeita que a coabitação sai da resignação da visão, isto é, da fé.